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Usar sem comprar

04/11/19 | Por Nelize Dezzen
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Por KARINA HOLLO

Já falamos aqui do movimento que prevê uma redução brusca nas compras em Fast Fashion e que, em menos de 10 anos, o mercado vintage vai ultrapassar as venda nesse formato de varejo. Se ainda não viu, clique aqui e entenda toda essa história.

Outra tendência cada vez mais forte, com os mesmos princípios de consumir moda com propósito, é alugar roupas. Mas não se trata daquele aluguel de antigamente, que resolvia a sua vida antes de um casamento ou formatura. Estamos falando de alugar roupa para ir ao cinema, almoçar com o boy, passar a tarde com os amigos.

Varejo de moda como conhecemos e consumimos está com os dias contados. Os consumidores das novas gerações preferem ter experiências à possuir demais. Querem usar peças estilosas e/ou únicas, mas não sentem a necessidade de serem donos da roupa.

Isso também é resultado da discussão do descarte exagerado de roupas e dos danos imensos que isso causa ao planeta. O varejo tradicional vai ter que se reinventar, fato! Trazes para o armário roupas que duram apenas cinco lavagens é um hábito que já não satisfaz muita gente.

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A tendência
Uma das mais descoladas lojas de fast tendências dos Estados Unidos, a Urban Outfitters, criou com a Nuuly, uma plataforma de compartilhamento onde, assinando um plano mensal, por 88 dólares, dá para escolher, pelo site, seis peças novas (e são mais de mil, entre cem marcas diferentes). E, 30 dias mais tarde, caso se apaixone por alguma das peças, pode até adquiri-la. Senão, Thank You, Next! As peças são lavadas e colocadas a disposição novamente.

Qual a grande vantagem em alugar roupas? “O aluguel permite que você varie muito mais as combinações de looks, além de estar sempre usando algo novo e sem peças paradas no guarda-roupa. Para quem gosta de artigos de luxo é uma ótima oportunidade e para quem preza a sustentabilidade também é uma saída”, analisa Daniela Yazigi, expert da WGSN.

 Uber, patinete e roupa alugada
Já usou patinete ou bike pelo aplicativo para ganhar tempo?  Abriu mão do seu carro e chamou um Uber? E a casa de praia no Airbnb para final de semana? Pois é, nós já praticamos o aluguel sem perceber. E com as roupas tem uma pegada parecida e pode ser seu próximo passo. Aqui no Brasil, a Rent Style traz esse conceito de economia compartilhada para a moda. Fundada por duas sócias, Isabella formada em moda e Ana Carolina em marketing, no fim de 2018, com modelo de aluguel, traduz uma nova forma de consumo: acesso X propriedade.

Além de economizar por não ter que desembolsar tanto comprando roupa para diversas ocasiões, você não perde tempo navegando por várias plataformas online. Você recebe a peça na sua casa e depois o Rent Style retira, lava e faz a manutenção de cada item.

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O Rent Style, em São Paulo, aluga as peças por 4, 8 ou 12 dias, entre marcas hypadas como Vanda Jacintho, Andrea Marques, Lilly Sarti, Egrey, Von Trapp, Coven, Betina de Luca. Você entra no site, seleciona o que quer alugar (se ficar em dúvida visita o showroom para experimentar as peças). Ainda não há assinatura mensal.

O público-alvo são mulheres que querem se divertir com a moda, sem se preocupar em gastar muito tempo e dinheiro se comprometendo com a compra de peças caras. Você pode fazer um seguro para pequenos danos reparáveis e algumas peças são disponibilizadas para venda, mas só sob consulta.

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Outro serviço de second hand por aqui é o Bem Phyna, de Gabriella Abuleae. Formada em moda no Instituto Marangoni, em Paris, ela viveu na França por 5 anos , onde foi braço direito da stylist Debora Reyner, no site de e-commerce Second Hand, Vide Dressing. Sem dinheiro para investir em roupa nova o tempo todo, ela garimpava peças em brechós e vendia as que não queria mais, em sites de compra e venda. De volta ao Brasil, criou o Bem Phyna, uma plataforma de moda 360 que investe no consumo de usados e aposta na liberdade na hora de se vestir. Em uma casa no bairro do Pacaembu, em São Paulo, é possível encontrar mais de 3 mil peças com a curadoria de Gabi, para homens e mulheres. Vale comprar qualquer peça do acervo ou alugar por 20% do valor da peça e devolver dali a 5 dias.

O brechó Minha Vó tinha, tradicional de São Paulo, conta com uma acervo imenso de roupas de todas as últimas décadas entre relíquias em roupas e acessórios e também é negociável o tempo que você quer ficar com as peças.

Já na Bo Bags, você pode usar a nova bolsa do Jacquemus por 4 dias, pagando R$ 94 reais. Roupas e óculos também estão disponíveis nos site.

Entendendo melhor o movimento: Sensação de liberdade e desapego incluídos

Esse tipo de aluguel de roupa nasce para acompanhar a mudança de comportamento dos consumidores, que querem novidade e variedade, mas com sustentabilidade. O movimento anuncia uma nova era. Nela, acabou aquela visitinha semanal que você fazia à Zara ou à Forever 21, tentada a comprar mais uma peça que acabava durando pouco mais de um mês – porque saia de moda, descosturava ou perdia a qualidade. Esse consumo – e descarte – desnecessário está em cheque. Seja por causa da sustentabilidade ou da grana curta, cada vez menos gente quer ter uma camiseta. Basta poder usá-la.

“Essa tendência vai de encontro principalmente à geração Z, mas os Millennials também entram nessa onda”, fala Daniela. “Essas gerações prezam por autenticidade e novidade, não querem repetir o look no Instagram, por exemplo, e isso fortalece muito esse mercado. Um outro ponto é a preocupação com questões de sustentabilidade e também desejo por itens de luxo.”

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Na opinião da expert, a questão central é na verdade a diversificação – tem gente que até coloca suas roupas para alugar, justamente por não querer desapegar. “A ideia do apego ainda existe, por isso é muito mais sobre a variedade dos produtos e o aumento de possibilidades.”

A tendência, então, é a gente não comprar mais roupa? Não necessariamente. A princípio, o aluguel viria para saciar aquela vontade de ter sempre uma roupa nova para usar – e liberar grana para você poder investir em peças clássicas e bem costuradas. Sim, a qualidade vai ser cada vez mais importante. Uma questão de reeducar e repensar o consumo. “As pessoas ainda querem ter coisas, elas apenas estão aprendendo a reduzir a quantidade. A geração Z por exemplo, quando se trata de fast fashion está priorizando as coleções premium das marcas”, diz Daniela.

A previsão é que esse mercado irá movimentar U$1,9 bilhões até 2023 (CAGR), com um crescimento de mais de 10%. “Ou seja, ainda estamos vivendo sua expansão. O que já podemos começar a refletir é sobre o aluguel para outros mercados também. Já trazemos informações do aluguel de móveis por exemplo, que a IKEA já está começando a implementar, então o próximo passo seria sobre olhar como o mercado de aluguel terá um impacto na estrutura do consumo em geral”, finaliza ela.

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Nelize Dezzen
| Team GE
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