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Luísa sem máscara

17/02/20 Moda | Por Isabela Serafim

Eleita uma das personalidades mais poderosas do país abaixo dos 30 anos (ela tem 21!) e com a carreira em constante ascensão, a cantora Luísa Sonza dá mais um passo em meio à folia: desfilar na Sapucaí pela Grande Rio e em seu primeiro bloco de Carnaval, o Sonzeira

200129_GAROTAS ESTUPIDAS 0241 PB-CAPA
Calça Levi's, preço sob consulta

Para Luísa Sonza, a astrologia é um ótimo jeito de começar uma conversa. "Melhor do que falar sobre o tempo", me contou logo depois de dizer que é canceriana com ascendente em áries e lua em touro. Para quem não é do time dos astros, podemos dizer que a jovem é intensa, tem personalidade forte e também um pé no chão que engana sua idade, 21 anos. Mas isso tudo também é fruto de sua experiência de vida. Luísa é do interior do Rio Grande do Sul, começou a trabalhar aos 7 anos em uma banda que tocava em festas e casamentos e viu no Youtube um jeito acessível – mas nada fácil! – de acontecer na música. Seu canal, que começou com vídeos de covers de artistas famosos, hoje contabiliza mais 4 milhões de inscritos. Só no Insta, ela tem 16 milhões de seguidores. E foi eleita no mês passado uma das pessoas mais poderosas do país com menos de 30 anos pela Forbes. Nossa capa de fevereiro conta a seguir as dores e delícias de ser Luísa Sonza, autêntica e sem máscara.

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Camiseta Love 1985, R$ 98

GAROTAS ESTÚPIDAS: Você começou a trabalhar com 7 anos e hoje, aos 21, já conquistou muita coisa. Como enxerga a sua trajetória?
Luísa Sonza: É muito louco ver que meu sonho se realizou. Eu sou de Tuparendi, uma cidade de 6 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, cantei em uma banda de casamento durante 10 anos e passei por vários "perrengues". Não foi uma infância normal. Tive que lidar muitas responsabilidades muito cedo, abrir mão de muita coisa. Coisas meio básicas na infância e adolescência, tipo dormir na casa da amiga, porque eu trabalhava muito de final de semana. Cheguei a fazer 20 shows em um mês! Mas escolheria isso mil vezes, em todas as vidas. Isso me fez crescer demais. Acho que só consigo lidar com tudo hoje por ter tido um caminho diferente.

GE: Você costuma falar que as mulheres gaúchas nascem com a "faca na bota". Quem são as mulheres que te inspiram?
Luísa Sonza: Vim de uma família de mulheres muito fortes. Tudo o que vi, de bom e ruim, peguei para mim como exemplo. Sou muito observadora e aprendo com o erro dos outros Minha avó, minha mãe e minhas tias sempre foram mulheres de muita personalidade e força. Tiveram uma história difícil em relação a tudo. Minha avó é uma mulher que precisou cuidar sozinha de três filhas quando o meu avô foi assassinado. Fiz uma música para a minha mãe ["Eliane", lançada em 2019] e coloquei ela, minha avó e minha irmã no clipe. Elas me inspiram muito. A Luísa artista tem muito da minha mãe. Ela é professora de dança e educação física e sempre me incentivou a dançar, fazer esporte, ser desinibida, não me importar com os outros. Ela tinha uma coisa que entrou na minha cabeça que é "não dependa de homem".

GE: Você foi eleita uma das pessoas mais poderosas do país abaixo dos 30 pela Forbes. Como recebeu a notícia? 
Luísa Sonza: Foi como ganhar um troféu. Eu vejo muito como a prova do quanto vale a pena trabalhar e correr atrás dos sonhos. E fiz questão de expor bastante para mostrar para as mulheres o que a gente pode fazer. A sociedade tem dificuldade de ver mulheres no topo. Esse é meu maior sonho. Eu quero que as mulheres sejam a maioria. Que as minorias sejam a maioria. Falo de mulher porque é meu lugar de fala, mas acho que as minorias têm que parar de ser minorias, porque nós somos a maioria. Foi um momento importante pra mim e serviu para mostrar que a gente consegue ser uma mulher de negócios, rebolar a bunda, se divertir, cuidar da pele, da mente, ter o próprio dinheiro e manter a independência financeira e emocional.

GE: Acho que nem preciso perguntar se você é feminista. Como vê o movimento hoje e qual é importância de falarmos cada vez mais sobre os padrões de beleza e autoestima?
Luísa Sonza
: Acho que só não é feminista quem não sabe o que é feminismo. E se uma pessoa não é feminista, ela é uma vítima da sociedade. E não podemos ficar com raiva. Nesse contexto, é muito importante falarmos de autoestima. Ser julgada pelo corpo não é algo que deveria acontecer. É muito sério que em 2020 a gente ainda veja pessoas falando sobre os corpos das outras. Precisamos discutir isso hoje para que um dia a diversidade de corpos seja apenas um fato, sem mais questões.

GE: Como é a sua relação com o seu corpo?
Luísa Sonza: Eu sempre fui muito segura do meu corpo, sempre tive uma autoestima elevada. Quando começava a ter uns pensamentos que não eram legais, me policiava. Isso é tão banal perto do que a gente pode ser… Temos tantas coisas para mostrar, que não vale a pena ficar infeliz com o nosso corpo e o peso o tempo todo. Eu vivo mais preocupada com a minha mente, com o que eu vou passar para as pessoas. O ser humano vai além do corpo. E o nosso corpo é a nossa casa. Temos que pensar nele com amor. Já tive vergonha do meu corpo, sim, mas me esforço para barrar essas ideias. É claro que é mais fácil chegar nesse lugar porque sou padrão. Tenho consciência de todos os meus privilégios. Mas não quero ser famosa pela aparência, e sim pela minha música, pelas coisas que eu falo. Já coloquei preenchimento nos lábios porque achei que ficaria legal. Porém já me sentia bem sem preenchimento. E não sou mais bonita que ninguém. Não me sinto mais bonita do que alguém que está fora do padrão. Quero que todo mundo se ache bonita. E quero ser uma mulher com voz pra falar e ajudar outras mulheres.

WhatsApp Image 2020-02-17 at 19.36.21
Camiseta Minha Avó Tinha, preço sob consulta

GE: Você é uma pessoa que cresceu nos palcos e há alguns anos nas redes sociais. Quais situações foram mais complicadas de enfrentar? 
Luísa Sonza: Eu lido bem. Me adapto fácil às coisas. E penso que é assim, então não preciso ficar me questionando. A realidade é essa e prefiro lidar com a realidade. O que já foi muito difícil pra mim foi a imprensa, quando as pessoas mudam minhas palavras de uma forma que possam atingir outras pessoas. Me machuca. Eu não ligo se alguém inventar algo sobre mim, se eu fiz alguma cirurgia e tal. Mas quando dizem que eu falei algo que não falei ou quando não foi essa a minha intenção, me incomoda demais. Ainda estou aprendendo a lidar. Dificilmente uma entrevista sai da forma como falei.

GE: As celebridades de antes tinham um contato diferente com os fãs: cartas, imprensa... Você tem um canal direto com os seus. Como é isso pra você? 
Luísa Sonza: Hoje, com as redes sociais, meu contato com os fãs é constante. Também converso sempre com os meus fãs clubes… Nos shows, temos um contato sempre próximo. Amo estar com eles e receber todo apoio e carinho! Cada mensagem e cada abraço me enchem de energia para continuar.

GE: Recentemente rolou na internet que o seu casamento com o Whindersson Nunes estava "por um fio" e vocês até ironizaram o caso. Como foi isso?
Luísa Sonza: Essa notícia é tão impossível de acontecer... Tiramos muito sarro. É uma história que não atinge outras pessoas. E nós temos muita segurança no nosso casamento, que é incrível. Nem ligamos. Ainda fiquei pensando que a gente dá muita audiência, porque estão inventando coisas desse tipo faz tempo. E eu acho a especulação sempre engraçada: "Ela postou uma foto e ele não curtiu". Um casamento de 4 anos e estão especulando que uma foto vai significar algo. Nesse caso específico a mídia não me afetou.

GE: Você sempre se mostra muito consciente na sua relação com o Whindersson. Costuma pensar sobre ter se casado muito nova? 
Luísa Sonza: Sou muito questionada sobre isso. Acho que sou um nova que não é nova. Tenho minha independência. Casei independente, tendo emprego, dinheiro, uma vida. Comecei a trabalhar com 7. Sou muito precoce. Casei cedo porque comecei a viver muito mais cedo. Além disso, não temos um casamento "tradicional", a gente continua tendo nossa vida, nossa independência. Pra mim, esse tipo de casamento é o ideal. Eu encontrei o Whindersson e ele é o amor da minha vida. E se alguém quiser casar cedo de outras maneiras, tudo bem também.

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GE: O que acha da monogamia? Teria um relacionamento aberto? 
Luísa Sonza: Eu acho que o relacionamento aberto funciona. O meu relacionamento não é aberto, mas acredito que pode dar certo. Essa discussão é muito importante hoje, mas estou bem e feliz assim.

GE: Você está comprometida há 4 anos. É a amiga conselheira? Como é ouvir as amigas contando sobre os aplicativos de paquera? 
Luísa Sonza: Sou! Eu adoro ser a conselheira. Gosto de ouvir, de aprender como funciona a cabeça e o relacionamento de outras pessoas. Adoro falar sobre o relacionamento saudável, que é como vejo o meu. Acho que um relacionamento deve ser leve, não deve ter pressão. E acho ótimo que as mulheres estão finalmente fazendo o que querem fazer. Que continue assim. Que elas sejam cada vez mais donas das próprias vidas, das suas escolhas.

GE: O tema da nossa edição é Carnaval. Qual é a sua relação com a folia? 
Luísa Sonza: O Carnaval esse ano vai ser realmente muito especial. É a primeira vez que desfilo na Sapucaí, pela Grande Rio, uma escola de samba que me abraçou. O Carnaval muda a vida das pessoas, desde as que estão ali acreditando e trabalhando na sua escola às que estão pulando na rua. É uma festa acessível, em que os artistas podem cantar pra todo mundo. E todo mundo é igual. Esse ano também lancei meu bloco, com o meu trio, o Sonzeira, que foi para a rua no dia 16. Carnaval é um momento de muito amor, alegria, liberdade, de lutar por causas, com as escolas de samba e seus temas. É uma grande manifestação humana. Hora de transbordar. Conexão pura.

GE: E no Carnaval você coloca ou tira a máscara? 
Luísa Sonza: Eu sempre sou a mesma Luísa. O tempo todo. Não tenho momentos em que eu coloque ou precise tirar uma máscara. A não ser quando estou atuando, que aí abro mão da Luísa para encarar um personagem.

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GE: Quem é a Luísa Sonza quando ninguém está olhando?
Luísa Sonza: Uma Luísa mais vulnerável. A única coisa que faço sozinha é ser mais menina, mais criança. No meu trabalho preciso ser adulta, centrada, correta. E sou uma menina de 21 anos, um neném. Quero ter cada vez menos medo de ser vulnerável. Quando você finge que é forte o tempo todo mostra mais fraqueza do que quando realmente mostra a sua fraqueza. E a verdade é que sou muito sensível, sinto todas as emoções. Sou canceriana.

GE: Você já falou no Twitter sobre estar com depressão. Como lidou com isso? Acha importante usar seu poder de influência para falar do assunto? E quais são os cuidados que você exerce em relação a esse poder de influência?
Luísa Sonza: É um tema delicado, porém é importante falarmos sobre para encorajar e mostrar que precisamos e podemos buscar ajuda. Tento utilizar minha voz como pessoa pública exatamente para mostrar que a doença é mais comum do que pensamos, e que precisamos cuidar cada vez mais da nossa mente e ficar atentos aos nossos amigos e família para ajudá-los sempre.

GE: Você fica muito no celular? Isso afeta a sua saúde mental? 
Luísa Sonza: Adoro ficar sem celular. Eu sou zero redes sociais. Acho até que teria que mostrar mais, falar mais. Não sou muito a pessoa que pega toda hora o celular pra fazer um story. Não sou tão ligada, por mais que eu seja da geração dos nativos digitais. Mas ainda fico muito no celular quando estou trabalhando. Essa parte é a que estou tentando me policiar. Às vezes, dá 2h da manhã e eu estou conversando com a minha equipe. Faço muita terapia e aprendi a nunca levar como verdade as mentiras que falam sobre mim na internet. Tento não ligar para os haters. Mas sou um ser humano também e às vezes fico chateada. Tenho o hábito de conversar muito com as pessoas que estão próximas, acho que o diálogo faz bem.

GE: Qual foi o melhor conselho que você já recebeu na vida? 
Luísa Sonza: "Seja independente. Se você quer alguma coisa, busque você". Foi da minha mãe. Quando eu era pequena e a gente ia a um restaurante, ela não pedia minha comida e dizia que se eu queria comer, deveria escolher e pedir. Quando eu brigava com alguém na escola e ela era chamada, dizia que eu deveria resolver. Eu odiava, ficava muito brava. Hoje agradeço.

Edição: Nelize Dezzen e Rafael Nascimento
Fotos: Bruna Castanheira
Styling: Victor Miranda
Beleza: Pedro Moreira
Tratamento de Imagens: Helena Colliny
Assistentes de Foto: Leandro Bugni e Beatriz Garbieri ⁣
Texto
: Isabela Serafim
Diagramação: Amanda Pinho

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Isabela Serafim
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A revolução de 2019: entenda por que este foi um ano de mudanças

18/12/19 Lifestyle | Por Isabela Serafim
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Novas configurações pessoais, climáticas, sustentáveis e digitais marcaram um período de renovação geral. Confira o nosso tour a seguir 

 

Tudo começou no shooting da capa da nossa primeira edição digital com Alice Wegmann, quando a própria atriz falou sobre a "revolução de 2019" – as grandes mudanças na forma como as mulheres estão lidando com a autoestima. Achamos que fazia tanto sentido que resolvemos usar o tema e pensar sobre o que mais se transformou este ano. E foi coisa, hein? A seguir, faremos um tour por onde passou a tal revolução de 2019. Vem com a gente?

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Ashley Graham, uma das musas do movimento body positive
Instagram/Reprodução
Captura de Tela 2019-12-18 às 17.08.59
Instagram/Reprodução

AMOR-PRÓPRIO, O PRIMEIRO AMOR

Nunca se falou tanto sobre autocuidado como em 2019. Tanto que o próprio Google apontou uma curva crescente nas buscas pelo termo em sua plataforma ao longo do ano. O movimento de olhar, entender e cuidar de si é a consequência de uma onda de feminismo que se espalhou pelas redes sociais. E o resultado é mesmo uma legião de mulheres que embarcaram em libertadoras (e nada fáceis) jornadas de aceitação e autoestima.

 

"É um processo de cura muito sensível, com altos e baixos. Vivemos hoje em um mundo com muitos filtros. Precisamos nos conectar com nossa essência e ser mais gentis com a gente", conta a comunicadora carioca Lara D'Avila, criadora do perfil do insta @comoaprendiameamar. "Depois de me aprofundar no assunto e ler 'O Mito da Beleza', de Naomi Wolf, percebi quanto tempo gastava com essa falta de aceitação. Hoje, aprendi a me amar com minhas imperfeições e adoro cuidar da minha saúde", diz.

Graças às redes sociais, inclusive, o movimento tem se espalhado cada vez mais, e celebridades que influenciam milhões de pessoas nas redes sociais têm se posicionado e colocado o assunto sempre na roda. Tipo Bruna Marquezine, Preta Gil, Anitta e a própria Alice Wegmann, que puxou o bonde da conversa aqui no GE no último mês (obrigada por isso, Alice!).

07 July 2019, Berlin: A woman is holding her smartphone in her hands during the show of the label LeGer by Lena Gercke at About You Fashion Week at E-Werk. The collections for Spring/Summer 2020 will be presented at Berlin Fashion Week. Photo: Jens Kalaene/dpa-Zentralbild/ZB (Photo by Jens Kalaene/picture alliance via Getty Images)
Getty Images

O DESEJO DO OFF

Para a nossa supercolunista Gabriela Prioli, esse foi um período marcado pelo impacto da tecnologia em nossas vidas. E não é só em relação às facilidades que os aplicativos trouxeram, mas também sobre as consequências deles para quem tem o costume de estar sempre conectado. "Nós somos o País com os maiores índices de ansiedade e depressão da América Latina, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)", conta Gabi. E olha só: ocupamos a segunda posição no ranking de países que mais usam o Instagram. "Temos milhares de pessoas se comparando com fotos nas redes sociais – que na maioria das vezes nem são reais", completa.

Nesse contexto, tivemos um 2019 em que o sinal vermelho dos efeitos do excesso de redes sociais piscou de verdade. E precisamos falar da importância de se reservar e aproveitar os momentos offline. Nossa Camila Coutinho, que tem uma vida superconectada, conta que é essencial ficar longe do celular para voltar a prestar atenção em si mesma.

Uma das tradicionais filas em lojas da Apple
Getty Images

"Começamos a perceber recentemente a consequência de estar sempre ligada na vida do outro (nas redes sociais) e desligada da nossa. Claro que não dá para ser extremista. Nossa realidade hoje é muito online. Porém, somos seres humanos com controle e inteligência para ter domínio em relação a isso. É importante identificar quando o uso está passando do limite e criar momentos off ao longo do dia. Ter consciência é o primeiro passo."

Members of the IBAMA forest fire brigade (named Prevfogo) fight burning in the Amazon area of rural settlement PDS Nova Fronteira, in the city of Novo Progresso, Para state, northern Brazil, on September 3, 2019. Since the end of August Prevfogo has been acting with the assistance of Brazilian Army military. Bolsonaro government budget cuts since January 2019 have severely affected brigades, which have been reduced in critical regions such as the Amazon. (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
A Amazônia e o alarmante aumento de queimadas
Getty Images

ALERTA SUSTENTÁVEL 

Não faz muito tempo que sustentabilidade era um tema de nicho, muitas vezes taxado de "papo de hippie". O tempo passou e, rapidamente, falar em meio ambiente virou prioridade. Importante e necessário, porque 2019 encerra uma década de calor global excepcional, perda de gelo e recorde no aumento do nível do mar (!!!), impulsionados pelos gases do efeito estufa que foram lançados através de atividades humanas, de acordo com a  Organização Meteorológica Mundial (OMM).

16-year-old Swedish climate change activist, Greta Thunberg takes part in the Fridays For Future rally in Piazza Castello on December 13, 2019, in Turin, Italy  - Thunberg rose to international prominence last August for organising the first 'School strike for climate', also known as Fridays For Future, a global movement of school students who swap classes for demonstrations to demand action to prevent further global warming and climate change. (Photo by Massimiliano Ferraro/NurPhoto via Getty Images)
A ativista Greta Thunberg, de 16 anos, chamou a atenção em congressos de sustentabilidade em 2019
Getty Images

Fazendo um recorte nacional, a história também se complica. O desmatamento na Amazônia cresceu 30% entre agosto de 2018 e julho de 2019 – os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Fernanda Simon, diretora executiva do Fashion Revolution, movimento que luta por um mercado de moda mais sustentável, conta que este foi um ano em que ficou comprovado que tratar de sustentabilidade é um caminho sem volta. "Avançamos bastante com o lançamento da segunda edição do Índice de Transparência da Moda Brasil, projeto que analisa 30 das maiores marcas nacionais de acordo com a disponibilização de dados públicos em seus canais. Uma ferramenta para auxiliar quem deseja ter informações de qualidade sobre o assunto", conta – e já deixa a dica para quem quiser se aprofundar no assunto.

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Instagram/Reprodução

MÍSTICAS DIGITAIS

Se tem uma terra que foi fértil para os influenciadores em 2019 foi a do misticismo. Perfis de bruxas modernas, astrologia e conteúdos exotéricos ganharam todos os holofotes em um ano de muita instabilidade geral. A plataforma Peoplestrology, que usa a astrologia para fazer pesquisas comportamentais, divulgou um estudo que aponta a busca por respostas como motivo para o boom do tema nos últimos anos.

"As novas gerações vivem uma crise generalizada de confiança: uma sensação de que governo, mídia e grandes instituições não estão falando a verdade. A incerteza e instabilidade sobre o futuro e a urgência para acalmar a ansiedade pode ser comum a todos, mas entre os mais jovens, essa angústia é crítica. A necessidade de pausa e reflexão é urgente, nem que isso aconteça online com a sua youtuber astróloga favorita", explica o report.

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Instagram/Reprodução

Neste contexto, dá pra entender o motivo do tarô virtual voltar à tona em pleno 2019 (não lembra coisa dos primórdios da internet, nos anos 2000?). E a história não para por aí: é reiki, wicca, ayahuasca, sagrado feminino e outras muitas filosofias que têm uma visão menos racional das coisas estão bombando.

Independente de misticismo ou crença, é fato que em 2019 a gente quis mais. Mais sororidade, mais empatia, mais acolhimento, mais relaxamento, mais descanso, mais autoconhecimento, mais paz. Este foi um ano de transformação, em que um espírito de movimento tomou conta de muita gente e o conformismo não teve espaço. A gente aqui no GE mudou de cara, equipe, posicionamento e encerramos o período com muitas novidades – e um longo caminho para percorrer. Vem 2020, que queremos continuar esse papo!

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Isabela Serafim
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“A Revolução de 2019”

22/11/19 | Por Nelize Dezzen
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Body Coven, preço sob consulta; camisa Etoiles, R$660; sapato Miu Miu, preço sob consulta

Por Karina Hollo

Logo no início do shooting para essa capa, Alice Wegmann soltou essa
expressão. A atriz se referia à grande mudança na forma como as
mulheres estão lidando com a autoestima. Fato. Logo seguimos num
longo papo sobre o assunto e chegamos à conclusão de que 2019 tem
sido realmente um ano de muitas revoluções. Aqui no GE, estamos em
profunda mudança. Também está rolando uma transformação imensa
no jeito de se comunicar. E até nos relacionamentos, em épocas de
redes sociais. Dessa conversa com ela decidimos, então, que esse seria
o tema dessa edição.

Para começar: A Revolução de Alice

Ela acabou de completar 24 anos e confessa que este foi um dos mais importantes. Parou de encanar tanto com o corpo, conheceu Miguel pelo Instagram, embarcou em causas que achou importantes. E vem muito mais por aí.

“Tem alguém aí 100% satisfeito nesse momento? Impossível.” É assim que a atriz Alice Wegmann, de 24 anos, define o reboliço que é esse fim de 2019. Carioca sangue-bom, ela é uma mulher de sua geração, que não tem papas na língua na hora de falar de feminismo, de lutar contra o preconceito geral, a opressão, a violência, a censura, a pobreza. “Não estou acomodada com o mundo do jeito que está. Então, uso a minha voz para tentar transformá-lo.” Na entrevista a seguir, a atriz, que já foi protagonista de Malhação (em 2012, na pele de uma roqueira rebelde), trabalhou em novelas, longas e minisséries até interpretar a vilã muçulmana Dalila, em Órfãos da Terra, fala abertamente sobre feminismo, sobre como consumir moda de uma maneira mais sustentável, do jeito moderno de namorar, do derramamento de óleo no nordeste. E também sobre a quebra dos padrões de beleza femininos e de quem ainda fala mal da barriga da coleguinha, de como ela engordou. Nada escapa a essa escorpiana de olhos doces e palavras maduras.

GAROTAS ESTÚPIDAS: Como você define o feminismo moderno?
Alice Wegmann: Vejo como um grande movimento de mudança e reestruturação. O feminismo tem como objetivo os direitos equânimes entre as pessoas; e acho que também precisa ser pensado com toda a interseccionalidade. Entre as mulheres, ter nascido branca na zona sul do Rio [de Janeiro] é um privilégio, por exemplo. Acho que realmente precisamos transformar muita coisa no mundo atual. Tem alguém aí 100% satisfeito nesse momento? Impossível.

GE: Como ele evoluiu e como você embarca nele?
AW: Acho que muitas mulheres abriram diversas portas para que eu pudesse ser quem eu sou hoje. Para que eu pudesse ler, escrever, votar, escolher as minhas próprias roupas, enfim. Nos últimos anos, a gente vem falando muito sobre libertação... E acho que foi isso o que aconteceu comigo, fui me libertando do medo de ser quem eu sou. Mas sei que ainda preciso abrir outras portas – para mim mesma e para futuras gerações.

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GE: Você tem uma voz ativa no feminismo contemporâneo. Em que outras causas embarca?
AW: Acho que esse é meu lugar de fala, enquanto mulher. Mas sabe aquela frase “você não precisa ser gay pra lutar contra a homofobia?”. É simples. Abraço as causas contra o preconceito geral, contra a opressão, contra a violência, contra a censura, contra a pobreza. Não estou acomodada com o mundo do jeito que está. Então, uso a minha voz para tentar transformar alguma coisa.

GE: Qual sua relação com a sustentabilidade? Como consome moda?
AW: Eu me ligo muito em moda, super acompanho os desfiles. Tenho meus “guilty pleasures”, mas cada vez com mais consciência das minhas escolhas. Nunca fui de comprar tudo o que via pela frente, sempre apliquei boa parte do meu salário para fazer um pezinho de meia desde quando era criança e trabalhava no teatro... Compro peças que sei que vou usar mais de uma vez, ou que sei que valem muito a pena.

GE: Como cuida da alimentação?
AW: Como carne vermelha pouquíssimas vezes por mês, tipo em duas ou três refeições apenas. Reduzi muito o consumo esse ano, e tenho sentido cada vez menos falta. Assisti a alguns documentários sobre o gado no Brasil e fiquei bastante chocada com o desmatamento e a
poluição que isso produz. Procuro consumir alimentos frescos, uma menor quantidade de industrializados. Uma pena que agora nossas frutas, legumes, verduras tenham tantos agrotóxicos.

GE: Se pronunciou sobre o derramamento de óleo na praia?
AW: Claro que me pronunciei! É infelizmente um ano de muitos desastres no Brasil – teve lama, incêndio, agora isso. E o povo do nordeste tirando o óleo no braço, o governo sem fazer maiores movimentos... uma tristeza.

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GE: Vilã ou mocinha?
AW: Acho que a gente só não quer mais mocinhas passivas, que esperam o príncipe encantado-herói chegar. Queremos protagonistas proativas.
Contanto que tenha isso, tudo bem. Do contrário, as vilãs são mais complexas, né?

GE: Sempre teve uma boa relação com o próprio corpo?
AW: Nem sempre. Aliás, esse ano foi um dos que mais me desapeguei quanto a isso, desde que tenho 15 anos. Terapia e meditação ajudam MUITO! E estar em contato com a natureza e com quem você ama, e se livrar da culpa de comer certas coisas. A culpa é o que mais pesa.

GE: O que o esporte trouxe para sua vida? Disciplina? Determinação?
AW: Sim. Tudo isso. Compromisso, disciplina (treinava ginástica olímpica 7 horas por dia, durante 8 anos da minha vida), força de vontade, superação.

GE: O que é essa tal revolução de 2019 que está fazendo as mulheres aceitarem melhor o próprio corpo?
AW: Acho que há um tempo as pessoas vêm exigindo ver mais verdade nas coisas. E ser mais de verdade também. Isso reflete em tudo, nas marcas/empresas, na forma como a gente se posiciona, em como se apresenta para o mundo. Então é isso: somos assim, não vou ficar me sentindo péssima por isso. “Eles que lutem” (risos).

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GE: Como vê a queda dos padrões de beleza femininos? Há ainda muita luta pela frente?
AW: Sim. Porque não existiu essa queda, de fato. É bonito falar de aceitação, mas muita gente ainda não colocou isso em prática... Seguem falando mal da barriga da coleguinha, de como ela engordou, de como ela tomou aquele sorvete numa tarde de terça... Seguem cultivando a cultura do jejum de sei lá quantas horas. Enfim, tem muito para mudar.

GE: Redes sociais servem para que? Têm um lado bom? E um ruim?
AW: Acho que ao mesmo tempo que aproxima as pessoas, também pode afastar. O negócio é o equilíbrio. Saber a hora que está te consumindo demais... Saber quando se deve deixar o celular de lado pra viver o presente mesmo, sentir o ventinho no rosto, a temperatura da água na praia, entender de fato a piada e não fingir que entendeu enquanto está prestando atenção no feed (risos).

GE: Como foi esse flerte com o Miguel [Gastal] pelas redes? Conto de fadas existe?
AW: O nosso foi total vida real, com papo reto e verdade. Ele estava solteiro, eu também, trocamos uma ideia pelo Instagram, a conversa foi fluindo até que encontrei ele na festa de uma amiga em comum. E desde o primeiro beijo foi um atrás do outro. Ele é incrível, parceiro, companheirão. Falamos sobre qualquer coisa!

GE: Uma musa inspiradora
AW: Fernanda Montenegro. Ela me emociona muito. E minha avó Maria Ignez.

GE: Um livro, um filme, uma série e uma playlist...
AW: Livro: Contos de Cães e Maus Lobos, do Valter Hugo Mãe; Filme: Cafarnaum, de Nadine Labaki; Série: Fleabag; Playlist: Canto do Povo de Um Lugar, de Caetano Veloso, Força Estranha, de Gal Costa, Tempo Rei, de Gilberto Gil.

Fotos: Ivan Erick
Styling: Rita Lazzarotti
Beleza: Nathalie Billio
Produção executiva: WBorn Productions
Produção de moda: Jeff Ferrari, Sanny Elias e Vítor Moreira
Tratamento de imagens: Philipe Mortosa
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Usar sem comprar

04/11/19 | Por Nelize Dezzen
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Por KARINA HOLLO

Já falamos aqui do movimento que prevê uma redução brusca nas compras em Fast Fashion e que, em menos de 10 anos, o mercado vintage vai ultrapassar as venda nesse formato de varejo. Se ainda não viu, clique aqui e entenda toda essa história.

Outra tendência cada vez mais forte, com os mesmos princípios de consumir moda com propósito, é alugar roupas. Mas não se trata daquele aluguel de antigamente, que resolvia a sua vida antes de um casamento ou formatura. Estamos falando de alugar roupa para ir ao cinema, almoçar com o boy, passar a tarde com os amigos.

Varejo de moda como conhecemos e consumimos está com os dias contados. Os consumidores das novas gerações preferem ter experiências à possuir demais. Querem usar peças estilosas e/ou únicas, mas não sentem a necessidade de serem donos da roupa.

Isso também é resultado da discussão do descarte exagerado de roupas e dos danos imensos que isso causa ao planeta. O varejo tradicional vai ter que se reinventar, fato! Trazes para o armário roupas que duram apenas cinco lavagens é um hábito que já não satisfaz muita gente.

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A tendência
Uma das mais descoladas lojas de fast tendências dos Estados Unidos, a Urban Outfitters, criou com a Nuuly, uma plataforma de compartilhamento onde, assinando um plano mensal, por 88 dólares, dá para escolher, pelo site, seis peças novas (e são mais de mil, entre cem marcas diferentes). E, 30 dias mais tarde, caso se apaixone por alguma das peças, pode até adquiri-la. Senão, Thank You, Next! As peças são lavadas e colocadas a disposição novamente.

Qual a grande vantagem em alugar roupas? “O aluguel permite que você varie muito mais as combinações de looks, além de estar sempre usando algo novo e sem peças paradas no guarda-roupa. Para quem gosta de artigos de luxo é uma ótima oportunidade e para quem preza a sustentabilidade também é uma saída”, analisa Daniela Yazigi, expert da WGSN.

 Uber, patinete e roupa alugada
Já usou patinete ou bike pelo aplicativo para ganhar tempo?  Abriu mão do seu carro e chamou um Uber? E a casa de praia no Airbnb para final de semana? Pois é, nós já praticamos o aluguel sem perceber. E com as roupas tem uma pegada parecida e pode ser seu próximo passo. Aqui no Brasil, a Rent Style traz esse conceito de economia compartilhada para a moda. Fundada por duas sócias, Isabella formada em moda e Ana Carolina em marketing, no fim de 2018, com modelo de aluguel, traduz uma nova forma de consumo: acesso X propriedade.

Além de economizar por não ter que desembolsar tanto comprando roupa para diversas ocasiões, você não perde tempo navegando por várias plataformas online. Você recebe a peça na sua casa e depois o Rent Style retira, lava e faz a manutenção de cada item.

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O Rent Style, em São Paulo, aluga as peças por 4, 8 ou 12 dias, entre marcas hypadas como Vanda Jacintho, Andrea Marques, Lilly Sarti, Egrey, Von Trapp, Coven, Betina de Luca. Você entra no site, seleciona o que quer alugar (se ficar em dúvida visita o showroom para experimentar as peças). Ainda não há assinatura mensal.

O público-alvo são mulheres que querem se divertir com a moda, sem se preocupar em gastar muito tempo e dinheiro se comprometendo com a compra de peças caras. Você pode fazer um seguro para pequenos danos reparáveis e algumas peças são disponibilizadas para venda, mas só sob consulta.

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Outro serviço de second hand por aqui é o Bem Phyna, de Gabriella Abuleae. Formada em moda no Instituto Marangoni, em Paris, ela viveu na França por 5 anos , onde foi braço direito da stylist Debora Reyner, no site de e-commerce Second Hand, Vide Dressing. Sem dinheiro para investir em roupa nova o tempo todo, ela garimpava peças em brechós e vendia as que não queria mais, em sites de compra e venda. De volta ao Brasil, criou o Bem Phyna, uma plataforma de moda 360 que investe no consumo de usados e aposta na liberdade na hora de se vestir. Em uma casa no bairro do Pacaembu, em São Paulo, é possível encontrar mais de 3 mil peças com a curadoria de Gabi, para homens e mulheres. Vale comprar qualquer peça do acervo ou alugar por 20% do valor da peça e devolver dali a 5 dias.

O brechó Minha Vó tinha, tradicional de São Paulo, conta com uma acervo imenso de roupas de todas as últimas décadas entre relíquias em roupas e acessórios e também é negociável o tempo que você quer ficar com as peças.

Já na Bo Bags, você pode usar a nova bolsa do Jacquemus por 4 dias, pagando R$ 94 reais. Roupas e óculos também estão disponíveis nos site.

Entendendo melhor o movimento: Sensação de liberdade e desapego incluídos

Esse tipo de aluguel de roupa nasce para acompanhar a mudança de comportamento dos consumidores, que querem novidade e variedade, mas com sustentabilidade. O movimento anuncia uma nova era. Nela, acabou aquela visitinha semanal que você fazia à Zara ou à Forever 21, tentada a comprar mais uma peça que acabava durando pouco mais de um mês – porque saia de moda, descosturava ou perdia a qualidade. Esse consumo – e descarte – desnecessário está em cheque. Seja por causa da sustentabilidade ou da grana curta, cada vez menos gente quer ter uma camiseta. Basta poder usá-la.

“Essa tendência vai de encontro principalmente à geração Z, mas os Millennials também entram nessa onda”, fala Daniela. “Essas gerações prezam por autenticidade e novidade, não querem repetir o look no Instagram, por exemplo, e isso fortalece muito esse mercado. Um outro ponto é a preocupação com questões de sustentabilidade e também desejo por itens de luxo.”

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Na opinião da expert, a questão central é na verdade a diversificação – tem gente que até coloca suas roupas para alugar, justamente por não querer desapegar. “A ideia do apego ainda existe, por isso é muito mais sobre a variedade dos produtos e o aumento de possibilidades.”

A tendência, então, é a gente não comprar mais roupa? Não necessariamente. A princípio, o aluguel viria para saciar aquela vontade de ter sempre uma roupa nova para usar – e liberar grana para você poder investir em peças clássicas e bem costuradas. Sim, a qualidade vai ser cada vez mais importante. Uma questão de reeducar e repensar o consumo. “As pessoas ainda querem ter coisas, elas apenas estão aprendendo a reduzir a quantidade. A geração Z por exemplo, quando se trata de fast fashion está priorizando as coleções premium das marcas”, diz Daniela.

A previsão é que esse mercado irá movimentar U$1,9 bilhões até 2023 (CAGR), com um crescimento de mais de 10%. “Ou seja, ainda estamos vivendo sua expansão. O que já podemos começar a refletir é sobre o aluguel para outros mercados também. Já trazemos informações do aluguel de móveis por exemplo, que a IKEA já está começando a implementar, então o próximo passo seria sobre olhar como o mercado de aluguel terá um impacto na estrutura do consumo em geral”, finaliza ela.

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CAMILA COUTINHO
Camila Coutinho criou o Garotas Estúpidas, primeiro blog de moda brasileiro, em 2006. De lá pra cá, a recifense virou referência no mercado nacional e internacional: em 2015 integrou a seleção “30 under 30” da Forbes Brasil e em 2017 entrou para a seleta lista BoF500 do site britânico Business of Fashion, que elege as personalidades que estão fazendo a diferença no mundo da moda; no ano seguinte lançou seu primeiro livro, “Estúpida, Eu?”, pela editora Intrínseca
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