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Estágios de Moda: Ana Galliza na ELLE Arábia
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Estágios de Moda: Ana Galliza na ELLE Arábia

28/11/13 Business | Por Camila Coutinho

ESTAGIO-ANA-FINAL-1

Tirando a poeira dessa tag tão incrível e inspiradora com uma história muito massa e inspiradora pra quem trabalha com moda! Afinal, pensar em fazer um estágio fora do país já dá um frio na barriga, agora imagina se ele for em Dubai, lugar completamente diferente de todo nosso cotidiano? Pois foi nessa aventura que a paraibana Ana Luiza Galliza, 25 anos, entrou de cabeça esse ano. Depois de se formar em moda no final de 2012, em abril deste ano ela começou a estagiar na ELLE Arábia e em outubro foi contratada como Assistente Editorial e de Marketing da revista.

Ana admite que teve sorte em achar um emprego tão bacana, mas ralou muito (e ainda rala!) por trás do glamour dessa história. “Sempre fui muito determinada e focada a trabalhar em uma revista de moda, mas nunca imaginei que aconteceria tão rápido. Vim para Dubai com o propósito de conseguir alguma experiência na área e comecei a estagiar em uma boutique de óculos vintage, onde fiquei por 1 mês. Conhecia muita gente e sempre que tinha oportunidade procurava alguma chance de trabalhar para uma revista, contou.

Ana conseguiu o estágio na boutique através de um site muito conhecido em Dubai, o www.dubizzle.com, que é tipo um classificados de todo tipo de coisa (aluguel de apartamentos, empregos, etc.). Ela mandou currículo e se comunicava por e-mail com a empresa. Uma amiga dela que já morava na cidade falou com eles pelo telefone para marcar as entrevistas. “Um dia após a minha chegada fui para a entrevista e comecei 2 dias depois”, lembra.

Trabalhando na boutique Ana conheceu a designer de uma revista da mesma editora da ELLE, com quem falou sobre seu interesse em trabalhar na área e pediu que entrasse em contato caso soubesse de algo. Pouco tempo depois a surpresa veio: “Estava trabahando quando minha atual chefe me ligou às 11h da manhã com um convite para a entrevista no escritório da ELLE às 13h. Precisei levar um artigo que tinha escrito em inglês e meu currículo; 10 minutos de conversa e foi anunciado que eu poderia começar na semana seguinte. Não conseguiria descrever em palavras o que senti! Só consegui acreditar quando cheguei para trabalhar no domingo (sim, aqui a semana vai de domingo a quinta)”.

Essa mudança nos dias úteis da semana é só um detalhe entre as diferenças que existem entre a cultura árabe e a nossa. “Senti um pouco de dificuldade no começo porque não sabia absolutamente nada do trabalho em uma redação. Também achava difícil entender os diferentes sotaques do pessoal no escritório e me comunicar com as pessoas de fora da revista, me sentia muito envergonhada. Mas felizmente todo mundo teve paciência de me ensinar como funcionavam as coisas”, conta ela, que de início não via Dubai com bons olhos, mas hoje é apaixonada pela cidade. “A qualidade de vida e segurança existentes aqui não podem ser comparadas as de lugar nenhum do mundo. Escolhi Dubai porque vi uma grande oportunidade de crescer aqui. O resto do mundo está em crise, com níveis de desemprego altíssimos e cheios de gente qualificada procurando emprego”.

Como apenas 10% da população de Dubai é considerada local – em 8 meses lá ela ainda não conheceu ninguém assim! -, rola um sentimento de que ninguém é estrangeiro na cidade: só na equipe da ELLE há 3 libaneses, 1 suíça, 1 tcheca e 1 paquistanesa. “O convívio é maravilhoso, todos respeitam e tentam conhecer mais um pouco da cultura alheia. Somos como uma familia!”, conta.

Até por isso, para um estrangeiro trabalhar legalmente na cidade não é difícil. Ana conta que para entrar no país você precisa de um visto, é fácil de aplicar se você vem de Emirates (a companhia aérea), pois eles resolvem tudo. “O visto tem duração de um mês e pode ser estendido por outro mês. Duas semanas antes do meu visto vencer, eu já estava na Elle,  conversei com o dono da editora e acordei de estagiar (sem retornos financeiros) durante 6 meses em troca do visto. Ele fez meu visto e agora sou residente do país. Não tem nada de complicado, você só precisa ter um contrato de trabalho, diz.

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NO DIA A DIA

A rotina da Ana é puxada e envolve também muito fôlego social. Um dia nunca é como o outro, geralmente sou a primeira a chegar ao escritório, por volta das 9:30h da manhã, tomo meu café por lá mesmo e começo a abrir meus e-mails. Algumas semanas tenho eventos diariamente, até três vezes por dia, e em alguns momentos me perco no tempo em frente ao computador, escrevendo artigos, marcando reuniões, etc. Sem menos esperar meu dia acaba e depois das 5 da tarde, quando não tem mais ninguém no escritório, encontro paz para terminar o trabalho pendente, e saio de lá por volta das 7 da noite. Muitas vezes chego em casa com tempo apenas para tomar banho e ficar pronta para algum lançamento de coleção, desfile ou evento de moda.

Tá, mas já que estamos falando de Dubai, país islâmico (e portanto sujeito a todas aquelas regras de vestimentas), impossível não pensar: E O LOOK? “Não me canso de achar engraçado toda vez que coloco a burca para passear no shopping”, conta Ana. “Mas me visto de acordo com meu humor. Nos dias de preguiça coloco algo bem confortável sem ter a preocupação de que vão me olhar estranho, isso nunca vai acontecer. Tento sempre me vestir bem, o ambiente de trabalho não pede nada formal, e vestidos acima do joelho e decotes não são mal interpretados lá. Em contrapartida, procuro nunca usar roupas muito curtas ou decotadas para sair, nem mesmo no dia a dia ou à noite”.

PARA CHEGAR LÁ

A Ana conseguiu transformar o que era para ser uma experiência de estágio de um mês em uma contratação, lidando com o dia a dia de um país completamente diferente do nosso. “Quem quer trabalhar com moda no exterior não pode ter medo de arriscar e tem que ter amor pela profissão. É muito importante ter contatos, então não adianta só ficar mandando currículo, tem que sair, conhecer pessoas e fazer seu network. Em algum momento alguém vai acreditar que existe um potencial em você e vai te dar uma chance de crescer”.

Para a Ana, arriscar já não é uma novidade. Aos 16 anos, quando todo mundo ia fazer intercâmbio nos Estados Unidos, ela preferiu terminar o colegial na Alemanha. Depois, estava meio perdida com relação a qual profissão seguir e acabou cursando dois anos de Administração, mas tomou coragem e mudou para moda na UNIPÊ (Centro Universitário João Pessoal). Quando comecei a cursar moda minha vida tomou um rumo diferente, me apaixonei pela profissão e logo descobri a minha vocação pelo jornalismo de moda”, lembra. Durante a faculdade, Ana bombou o currículo com vários cursos paralelos, como corte, costura e modelagem, photoshop, desenho estilístico, processo criativo, etc. “Um mês antes de apresentar meu projeto de conclusão de curso resolvi ir pra Nova York fazer cursos de curta duração na FIT (Fashion Institure of Technology). Voltei e aí logo depois de graduar vim para Dubai e comecei o trabalho na ELLE”.

Ana ainda pretende ficar mais alguns anos em Dubai, mas tem a intenção de voltar para o Brasil.“Sempre me pego sonhando com o futuro, me vejo em alguns anos num Brasil melhor e com um emprego incrível em alguma revista brasileira, pertinho da minha família e onde eu não tenha que me preocupar com as restrições árabes”.

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QUEM ESCREVE
Camila Coutinho
| Team GE
Fundadora do @garotasestupidas, @iconoclastsbr e autora do #ESTUPIDAEU
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