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Categoria: Moda
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É verão! E Letticia Munniz é a nossa nova capa digital

21/12/20 Moda | Por Nelize Dezzen

Verão chegando... e como diria a musa Lizzo: "se eu estou brilhando, todo mundo vai brilhar. Eu nasci assim, não preciso nem tentar", esse som (já hino) animado e empoderado bem que pode ser a trilha sonora do verão de Letticia Munniz. Para a modelo de 31 anos que usa sua potente voz para inspirar e libertar muitas mulheres por meio de suas redes sociais, só vale mesmo brilhar se for para arrastar um monte de mulheres junto com ela e, no que depender dessa deusa, essa vai ser uma estação de muito autoamor!

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A capixaba não anda, desfila. Não fala, revoluciona. Com seus mais de 720 mil seguidores, a modelo, apresentadora e influencer conta que ama o sol e passar o dia todinho de biquíni. A seguir, vamos conhecer um pouco mais sobre essa musa que conta a história da hashtag #corpãodeverão, seu segredo para se amar do jeitinho que é, desejos para 2021, o que diria para si mesma há 10 anos... Por Karina Hollo

GE: Quais são seus cuidados com a pele e saúde no verão?

LM: Uso muito protetor solar – estou sempre com o rosto muito mais claro do que o corpo. Sou totalmente consciente de que preciso proteger o rosto. Muito além dos produtos que, óbvio, a gente precisa, eu me preocupo em beber água e me alimentar bem. Beber água eu acho que é um dos meus maiores segredos. Não faço dietas restritivas, o que tenho vontade de comer, eu como: chocolate, hambúrguer, pizza. Não passo vontade. Mas no dia a dia, presto muita atenção à alimentação. Procuro comer coisas que sejam boas para o corpo, para intestino.

Nessa época, prefiro pegar um sol, ir à piscina, do que malhar. Por outro lado, o calor me deixa absurdamente inquieta. Acabo fazendo atividade física porque o calor me deixa agoniada. Não consigo ficar dentro de casa parada, suando. Saio para dar uma corrida, amo correr. Em outras palavras, ou estou na piscina ou fazendo alguma atividade física. Também tenho mais vontade de comer frutas e verduras. Prefiro sempre algo mais leve.

GE: Qual a sua tática para curtir praia ou piscina?
LM: Ser livre, feliz sem me importar se os outros estão olhando para o meu corpo. Estou ali para curtir! Todos estes anos que eu perdi não me sentindo livre, me sentindo incomodada, ficando de shorts ou com uma toalha amarrada... A partir de agora, me libertei disso e vou com o biquíni que quiser, mais cavado na bunda, e não estou nem aí para o que os outros pensam. Eu quero ficar bronzeada, ser livre e feliz! Uma grande gostosa, acima de tudo. E a gente não vai deixar mais ninguém fazer a gente acreditar o contrário disso.

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GE: Conte a história da #Corpãodeverão, hashtag que você criou no verão 2019/20. Qual era seu objetivo?

LM: Acho que o ano passado, 2019 para 2020, foi o primeiro verão de fato que eu vesti biquínis e me senti bem. Foram biquínis que eu escolhi para mim. A gente que não cabe naquele P, M e G – tem que acabar usando o que encontra. E eu neste ano, achei biquínis que realmente me fizeram sentir gostosa. Não fiquei me cobrindo nem amarrando canga para o lado. Eu quis incentivar outras mulheres a fazer o mesmo. Aquela coisa de ver as pessoas na internet com muito seguidores e achar que elas estão um degrau acima da gente, que vivem uma vida diferente da nossa, não faz sentido! Quis dar força a outras mulheres, não usando minha história ou o meu corpo, porque acho que somos todas muito diferentes. Mesmo quando encontramos semelhanças, é muito difícil criar comparações. Somos muito plurais. Eu pedi que as mulheres que me seguem se libertassem, tirassem uma foto desse momento para que eu postasse. Porque eu sozinha com o meu corpo não consigo representar a todas. Então, estas imagens mostraram a pluralidade feminina e isso foi muito legal. Mulheres mais gordas, mulheres mais magras. Mulheres gordas com peito ou a bunda pequena, mulheres que foram mãe, mostrando a barriga com mais flacidez, estrias. Quis perceber todos os tipos de corpo e por meio da minha plataforma, dar voz a estas mulheres. Fazer com que elas inspirassem umas às outras. E isto foi lindo! Tinha tanta marcação que eu não dava conta, meus Stories estavam sempre cheios, no limite com muitos reposts. A #Corpãodeverão veio para criar uma rede de apoio.

GE: Quais são os seus três sonhos de uma noite de verão?

LM: Acho que agora pequenas coisas viram um sonho. Um luau com meus amigos de vida, que acompanharam minha evolução e estiveram comigo nos momentos difíceis. Um outro sonho seria uma viagem para as Maldivas, eu e a Dani, minha namorada, num lugar assim bem paradisíaco. O terceiro sonho não é de uma noite de verão, mas da minha vida: quero muito ter minha casa com quintal bem lindo e uma piscina, com meus cachorros, bem com essa cara de verão.

GE: Qual o segredo para se amar do jeitinho que a gente é?

LM: Eu não passei a me amar mais depois de alguma mudança no meu corpo ou de usar outro tipo de roupa. Quanto mais eu descobri quem eu era por completo, mais fui me admirando. E não só fisicamente, mas por tudo que eu sou, pelo que faço por meus amigos, pela minha família e pelo mundo. Gosto de ser carinhosa, bondosa e respeitosa. Este mix fez com que eu olhasse essa beleza e ela viesse para fora. Não tinha como ela não irradiar. Acho que o mais necessário é vermos quem somos. Vemos tanta coisa boa nos outros e temos que olhar para a gente com estes mesmos olhos. Acho que a gente se amar vai muito além de mudar algo no corpo ou aceitar algo no corpo.

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GE: Você já sofreu por amor? Se já, como superou?

LM: Já sofri pesado por amor mas olha só, sou libra com ascendente em peixes e tenho lua em câncer. O meu horóscopo diz que eu deveria sofrer todos os dias por amor e, guerreira que sou, não sofri tanto assim não. Mas quando sofri, superei chorando. Até porque, libra, peixes e câncer, não tem como não chorar. Depois de tanto choro você percebe que não aguenta mais chorar, e que é linda, maravilhosa e que não precisa daquela pessoa e, se ela não te quer, azar o dela.

GE: Como encontrou o valor na sua essência? Conta esse processo?

LM: Pela maior parte da minha vida, tentei encontrar o meu valor pela aparência e não na minha essência. Eu achava que seria bem sucedida e desejada, e que todas as coisas boas aconteceram comigo pelo meu físico, meu exterior. Depois de muito sofrer tentando me encaixar nesse padrão ao qual ninguém pertence, eu percebi que o meu valor não tinha como estar ali, em algo que eu não sou, que eu estava tentando ser. E aí, aconteceu essa virada. Comecei a me importar mais com o que eu sou por dentro, com os meus valores, o que eu tinha de bom para oferecer para o mundo do que com a imagem que eu via no espelho. Enquanto acreditamos que o nosso merecimento vem da aparência física, estamos perdendo tempo. O físico é mutável e não consegue transmitir a nossa verdade.

GE: Já se sentiu desrespeitada?


LM:
Já me senti muito desrespeitada no trabalho – acho que em todas as áreas encontramos o machismo. Sempre trabalhei com audiovisual, com produção, TV, uma área que durante muito tempo foi dominada pelos homens. Eles dirigiam, eram os câmeras, os editores. Já fiz o mesmo trabalho que o profissional homem e ganhei a metade do salário, de maneira bem escancarada. Já fui muito subjugada – as pessoas acham que por sermos mulher, a gente não é capaz. Eu que vim de uma outra cidade, para São Paulo, cheia de sonhos, e isto é um baque. É difícil reagir, porque na hora a sensação de impotência é grande. A gente quer tanto fazer tantas coisas, mas acaba sendo sempre tão fácil por conta do machismo. Sentir isso na pele muitas vezes nos deixa impotentes, nunca consegui reagir no momento, e acho que isto é ainda pior.

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GE: O que te motivou a ser ativa nas redes sociais?

LM: Foi exatamente esse diretor! Eu sou muito cara de pau – porque eu acho que a gente sempre tem o não. Acho que o mais difícil eu já fiz: sair da minha cidade supernova sem conhecer ninguém para vir me arriscar numa cidade grande e difícil. Então, a maior dificuldade eu já havia vencido. Quando eu pedi esta chance a este diretor ele me deu este conselho, confesso que na hora fiquei meio assim. Achei que não tinha um propósito bem claro – mas entendi que o propósito ele encontra a gente. Foi neste momento, quando eu não aguentava mais as dietas malucas, que comecei a gravar umas coisas muitos esporádicas para internet. Nem tinham a ver com o corpo, mas o meu propósito foi me encontrando no meio de tudo isso, me mostrando quem eu era.

GE: Quais mudanças você percebe desde quando começou até hoje?

LM: Existe muita mudança da Lelê que começou para a Lelê de hoje. Eu era muito focada na arte – falo que sou artista desde criança. Via o Sai de Baixo e queria ser uma atriz de humor, fazer as pessoas rirem. Queria ser a Magda, fingia que falava as coisas erradas em casa e minha mãe e minha irmã riam. Então, quando eu comecei na internet, queria muito mostrar essa Lelê engraçada e artista. Não que hoje eu não queira mas, pelo contrário. Hoje, tenho condições de me atualizar mais, fazer cursos e pagar por isso. Antes, eu deixava de comer para fazer um curso. Hoje, ainda quero estar sempre imersa na arte, mas me conectando com as pessoas e vivendo, vendo que todo dia somos uma pessoa diferente. Mudamos. Eu fui me libertando e compartilhar este processo foi um alívio muito grande. Quando comecei, meus objetivos tinham a ver comigo e hoje eles são para nós, mulheres. Estou para todas as mulheres. Quero alcançar meus sonhos, mas estou ali, sendo forte todos os dias. Porque quem trabalha com isso sabe como é difícil. Para que outras mulheres sintam a minha liberdade e a minha liberdade as liberte.

GE: Porque você acha que existe esse peso das mulheres terem que estar provando algo a alguém o tempo todo? O que fazer para mudar isso?

LM: Este peso é histórico. Vivemos numa sociedade machista! Muitas mulheres já lutaram e sangraram para que a gente estivesse aqui hoje. E eu sei ainda que posso muito mais! Infelizmente, porque sou branca. Muito mais do que várias mulheres que infelizmente não têm direitos básicos. A gente tem que provar que não é só um corpo, que somos inteligentes. Se você tem filho, tem que provar que não é só mãe. Tudo isso vem desta necessidade dos homens se colocarem acima, sendo que estamos aqui para ser iguais. Não para ser mais, e isto é uma mudança de sociedade. Não adianta só nós mulheres estarmos o tempo todo lutando, se o outro lado não cede, não aceita respeitar a gente.

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GE: Qual foi a mensagem de uma seguidora que mais te marcou?

LM: Uma vez, uma seguidora me falou que a minha liberdade libertava ela. Ela colocou em palavras tudo o que eu senti e tudo que eu sempre quis ser para outras mulheres. Era este o sonho, desde sempre. Quando ouvi isto, tudo fez tanto sentido! Acho que temos facilidade de nos colocar para baixo, de não nos acharmos boas o suficiente. Ao receber esta mensagem, chorei de muita felicidade. Tocar uma, cinco, dez mulheres, da mesma forma é um sonho realizado. E este episódio ficará para sempre.

GE: Pra quem você pede conselho quando precisa?
LM: Não sou muito de pedir conselho, sou meio dona da verdade (risos). Não sei se é o meu signo da justiça ponderada. Acabo sendo muito conselheira, tanto para os outros (muitos conhecem este lado da Lelê conselheira rsrs), quanto para mim. Mas claro que eu ouço muito conselhos das minhas amigas próximas, da Dani, minha namorada, que sempre me acalma quando estou mal. E acho que o melhor conselho que já recebi na vida foi de um diretor de TV, há muitos anos, quando eu estava tentando muito entrar na área. Eu já estudava teatro há muitos anos, fazia cursos de apresentação, de cinema, de TV e eu não conseguia mostrar o meu talento. Aí, eu mandei uma mensagem para este diretor ele falou: “Eu não tenho como mostrar para os outros que você é boa se você não mostra para os outros que você é boa“. Então, se mostrar e abrir para o mundo o seu valor foi o melhor conselho que eu já recebi na vida.

GE: Já pensou em ter filhos? Se sente pressionada a ter?

LM: Pensar em ter filho me parece óbvio para todas as mulheres. Quando a gente vai crescendo, vai aprendendo que esse é o caminho natural: você vai estudar, crescer, ter um namorado, casar e ter filhos. É isso que a gente aprende como o certo, como caminho para felicidade. Mas logo que vim morar em São Paulo, isso ficou distante. Percebi que não era um sonho, era só uma programação que eu achava que tinha que cumprir. Eu tenho tantos desejos e sonhos que eu acho que agora não é o momento de ter filhos, eu tenho 31 anos! Alguns anos atrás, pensar que uma mulher com 31 anos ainda não tinha filho era no mínimo um absurdo. Aquela coisa de ser solteirona e ficar para titia. Eu realmente fiquei! Minha irmã já tem filho. Hoje consigo ver que se eu tiver filho eu não tenho a menor condição de realizar os meus sonhos e seguir com as minhas realizações. Um dos meus sonhos é sim ter filho, para encher essa criança de amor. Adotar uma criança que seja mais velha, as que não são as da preferência na hora da adoção. Se um dia eu quis ser mãe da maneira tradicional, hoje eu vejo esta alternativa. Na verdade, não quero uma só. Gostaria de mais de uma.

GE: Um relacionamento ideal, como é?

LM: Acho que não existe relacionamento ideal. Existe amor e respeito. Sempre falei de relacionamento no meu Instagram, é até uma piada porque eu nunca namorei antes. Estava dando conselho sem nunca ter namorado. Mas as pessoas me achavam tão sensata que eu não parei de receber mensagem – o Lelê Responde, foi um sucesso. E hoje, namorando (há mais de um ano, quase dois), eu cheguei à conclusão que é muito doido, porque a cada mês o relacionamento é outro. As coisas mudam. Começa aquela paixão louca e o sentimento vai se transformando. Morando juntas, eu descobri que não existe relacionamento ideal. É um grande aprendizado. As pessoas mudam todo dia e é preciso sempre de adaptação e de compreensão. Isto só existe com muita amizade e cumplicidade. Respeito e amor, na essência. Relacionamento ideal tem que ser um pouco assim. Pra passar por todas as mudanças juntos e ser mais fortes juntos.

GE: O que seus relacionamentos passados te ensinaram?

LM: Meus relacionamentos passados me ensinaram a fazer Lelê Responde, na internet. Meus relacionamentos passados mostraram tudo que uma mulher não deve aceitar. Durante muito tempo, me relacionei só com homens e depois comecei a me relacionar com mulheres e em todos os relacionamentos com homens eu sofri muito – porque muitos têm essa coisa de se colocar numa posição superior. Vivi alguns relacionamentos abusivos e desrespeitosos. Eles me ensinaram a não aceitar nada que me machuque, nada que me faça duvidar de mim e me colocar numa posição de inferioridade. A gente só pode aceitar ser muito amada e respeitada e que o outro comemore cada passo que a gente dê.

GE: Como quer ser lembrada?

LM: Sinto muito o peso de falar com o outro e de me posicionar para tantas mulheres – porque eu me cobro todos os dias a ser extraordinária. Acho que se tanta gente me ouve, tenho que surgir com algo muito incrível e diferente do que já foi visto. Mas somos humanos e especialmente neste ano tão duro, criar algo novo e estar bem mentalmente foi difícil. Me pressionei muito para ser melhor, mas não consegui. Foi um ano em que eu tive que conversar muito comigo mesma, para aceitar o que eu tinha para dar – empatia e reciprocidade. Não aquela coisa de estar ali na internet fingindo mundo ideal. Afinal de contas, não é todo dia que a gente consegue dar o nosso melhor e eu tento ser verdadeira a respeito disso. Acho que a identificação do meu público vem daí. Essa coisa tão parecida com a vida de todos.

GE: Qual foi o comentário mais sem noção que já leu na sua página?

LM: O comentário mais sem noção que eu já recebi na minha página (lembrando que tem muita gente sem noção na internet, tem gente que vem destilar gordo fobia, falar mal do jeito que me visto...) sem dúvida foi recentemente, quando eu postei uma foto linda e maravilhosa com um vestido dourado e uma fenda linda e uma pessoa postou que eu estava parecendo um botijão de gás dourado. É até engraçado – se não fosse triste. Imaginar uma pessoa que está ali unicamente para fazer o mal. Cada um pode pensar o que quiser, mas entrar em uma página de alguém que está ali para fazer o bem, ajudar os outros a se aceitarem, e destilar toda essa maldade e querer fazer eu me sentir mal, é muito feio. Sinceramente nem sinto mal, mas acho que outras mulheres podem se sentir isso pode acabar o dia das pessoas.

GE: Você sofre muito assédio masculino? Mensagens indesejadas de homens no DM?

LM: Sofro muito assédio masculino, muitos já chegam pedindo o número do telefone, com uma confiança! É aquela coisa quase inabalável, fruto dessa situação de privilégio que eles acham que têm. Aquela coisa de achar que tudo que existe no mundo tem haver com eles e o prazer deles. Aquela coisa de eu estar na internet, mostrando meu corpo, e ele, obviamente, achar que é para ele!

GE: E na vida offline, já foi assediada? Como reagiu?

LM: Também já fui muito assediada na vida real. Na rua, nós mulheres não temos um dia de paz. O problema é essa masculinidade tóxica. Mulheres que gostam de mulheres não assediam outras mulheres na rua. Até quando era muito nova, com 10 anos, e saía para passear com o cachorro já sofri assédio. No trabalho também, de me mandarem mensagem das mais nojentas. E isso traz uma sensação de impotência, uma frustração grande. Principalmente quando a gente é nova e não consegue fazer nada. Aí, a sensação é ainda pior.

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GE: Se pudesse dar um só conselho a alguém, qual seria?

LM: Se eu tivesse que dar apenas um conselho eu diria, seja você. A gente não deve tentar ser outra pessoa. Não dá para achar que quem a gente é está errado, tem defeito. Inclusive porque é na nossa diferença que está o nosso poder. Eu ter o corpo fora do padrão, e falar o que eu penso, me faz diferente e me trouxe até aqui. Eu demorei muito para descobrir esta mulher porque estava preocupada em ser aquilo que eu não era. Tentando ter aquele corpo das revistas e da TV. Isso tomou meu tempo e gostou muito da minha saúde física e mental.

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GE: O que você diria para Letticia de 21 anos?

LM: Diria para ela chorar o quanto quiser, e que todas as lágrimas se transformarão em lágrimas de felicidade. Isto aconteceu, eu chorei muito, fiquei muito triste, mas esta tristeza virou uma grande alegria.

GE: E para a Letticia de 41 anos?

LM: Eu diria para ela não se cansar, tomar fôlego, não parar de malhar, por que será necessário muita força para fazer tudo que eu quero fazer. Quero mudar as coisas para as mulheres desse mundo. Quero lutar não só por elas, mas pelas crianças.

GE: Quais seus desejos para 2021?

LM: Eu quero trabalhar muito em 2021. Depois de 10 anos de muita luta e esforço, desde que cheguei em São Paulo, os trabalhos me realizam e me fazem ainda mais feliz, poderosa e gostosa, não importa se engordei ou emagreci. Quero trabalhar muito, ter minha casinha e casar com a Daninha. Um casamento lindo, com muito amor, com os nossos amigos e com show da Ivete Sangalo – porque a Dani é fã dela.

GE: Para finalizar de zero a 10 quanto você se considera atraente?

LM: 1000! Não tem nota, porque eu sou muito linda e gostosa. Sou engraçada, sou inteligente, sou tudo de bom numa mulher só (risos). As três coisas que não sei fazer bem: cantar, não sei dançar e dirijo muito mal. Fora isso sou perfeita, a pessoa mais legal.

Edição: @nelizedezzen
Fotos: @tauanasofia
Assistente de fotografia: @franklindalmeida
Beleza: @camila_anac
Styling: @marciobanfi
Produção de Moda: @tatianalara e @augustodepaula
Produção de objetos: @femilani

QUEM ESCREVE
Nelize Dezzen
| Team GE
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