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“A Revolução de 2019”
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“A Revolução de 2019”

22/11/19 | Por Nelize Dezzen
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Body Coven, preço sob consulta; camisa Etoiles, R$660; sapato Miu Miu, preço sob consulta

Por Karina Hollo

Logo no início do shooting para essa capa, Alice Wegmann soltou essa
expressão. A atriz se referia à grande mudança na forma como as
mulheres estão lidando com a autoestima. Fato. Logo seguimos num
longo papo sobre o assunto e chegamos à conclusão de que 2019 tem
sido realmente um ano de muitas revoluções. Aqui no GE, estamos em
profunda mudança. Também está rolando uma transformação imensa
no jeito de se comunicar. E até nos relacionamentos, em épocas de
redes sociais. Dessa conversa com ela decidimos, então, que esse seria
o tema dessa edição.

Para começar: A Revolução de Alice

Ela acabou de completar 24 anos e confessa que este foi um dos mais importantes. Parou de encanar tanto com o corpo, conheceu Miguel pelo Instagram, embarcou em causas que achou importantes. E vem muito mais por aí.

“Tem alguém aí 100% satisfeito nesse momento? Impossível.” É assim que a atriz Alice Wegmann, de 24 anos, define o reboliço que é esse fim de 2019. Carioca sangue-bom, ela é uma mulher de sua geração, que não tem papas na língua na hora de falar de feminismo, de lutar contra o preconceito geral, a opressão, a violência, a censura, a pobreza. “Não estou acomodada com o mundo do jeito que está. Então, uso a minha voz para tentar transformá-lo.” Na entrevista a seguir, a atriz, que já foi protagonista de Malhação (em 2012, na pele de uma roqueira rebelde), trabalhou em novelas, longas e minisséries até interpretar a vilã muçulmana Dalila, em Órfãos da Terra, fala abertamente sobre feminismo, sobre como consumir moda de uma maneira mais sustentável, do jeito moderno de namorar, do derramamento de óleo no nordeste. E também sobre a quebra dos padrões de beleza femininos e de quem ainda fala mal da barriga da coleguinha, de como ela engordou. Nada escapa a essa escorpiana de olhos doces e palavras maduras.

GAROTAS ESTÚPIDAS: Como você define o feminismo moderno?
Alice Wegmann: Vejo como um grande movimento de mudança e reestruturação. O feminismo tem como objetivo os direitos equânimes entre as pessoas; e acho que também precisa ser pensado com toda a interseccionalidade. Entre as mulheres, ter nascido branca na zona sul do Rio [de Janeiro] é um privilégio, por exemplo. Acho que realmente precisamos transformar muita coisa no mundo atual. Tem alguém aí 100% satisfeito nesse momento? Impossível.

GE: Como ele evoluiu e como você embarca nele?
AW: Acho que muitas mulheres abriram diversas portas para que eu pudesse ser quem eu sou hoje. Para que eu pudesse ler, escrever, votar, escolher as minhas próprias roupas, enfim. Nos últimos anos, a gente vem falando muito sobre libertação... E acho que foi isso o que aconteceu comigo, fui me libertando do medo de ser quem eu sou. Mas sei que ainda preciso abrir outras portas – para mim mesma e para futuras gerações.

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GE: Você tem uma voz ativa no feminismo contemporâneo. Em que outras causas embarca?
AW: Acho que esse é meu lugar de fala, enquanto mulher. Mas sabe aquela frase “você não precisa ser gay pra lutar contra a homofobia?”. É simples. Abraço as causas contra o preconceito geral, contra a opressão, contra a violência, contra a censura, contra a pobreza. Não estou acomodada com o mundo do jeito que está. Então, uso a minha voz para tentar transformar alguma coisa.

GE: Qual sua relação com a sustentabilidade? Como consome moda?
AW: Eu me ligo muito em moda, super acompanho os desfiles. Tenho meus “guilty pleasures”, mas cada vez com mais consciência das minhas escolhas. Nunca fui de comprar tudo o que via pela frente, sempre apliquei boa parte do meu salário para fazer um pezinho de meia desde quando era criança e trabalhava no teatro... Compro peças que sei que vou usar mais de uma vez, ou que sei que valem muito a pena.

GE: Como cuida da alimentação?
AW: Como carne vermelha pouquíssimas vezes por mês, tipo em duas ou três refeições apenas. Reduzi muito o consumo esse ano, e tenho sentido cada vez menos falta. Assisti a alguns documentários sobre o gado no Brasil e fiquei bastante chocada com o desmatamento e a
poluição que isso produz. Procuro consumir alimentos frescos, uma menor quantidade de industrializados. Uma pena que agora nossas frutas, legumes, verduras tenham tantos agrotóxicos.

GE: Se pronunciou sobre o derramamento de óleo na praia?
AW: Claro que me pronunciei! É infelizmente um ano de muitos desastres no Brasil – teve lama, incêndio, agora isso. E o povo do nordeste tirando o óleo no braço, o governo sem fazer maiores movimentos... uma tristeza.

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GE: Vilã ou mocinha?
AW: Acho que a gente só não quer mais mocinhas passivas, que esperam o príncipe encantado-herói chegar. Queremos protagonistas proativas.
Contanto que tenha isso, tudo bem. Do contrário, as vilãs são mais complexas, né?

GE: Sempre teve uma boa relação com o próprio corpo?
AW: Nem sempre. Aliás, esse ano foi um dos que mais me desapeguei quanto a isso, desde que tenho 15 anos. Terapia e meditação ajudam MUITO! E estar em contato com a natureza e com quem você ama, e se livrar da culpa de comer certas coisas. A culpa é o que mais pesa.

GE: O que o esporte trouxe para sua vida? Disciplina? Determinação?
AW: Sim. Tudo isso. Compromisso, disciplina (treinava ginástica olímpica 7 horas por dia, durante 8 anos da minha vida), força de vontade, superação.

GE: O que é essa tal revolução de 2019 que está fazendo as mulheres aceitarem melhor o próprio corpo?
AW: Acho que há um tempo as pessoas vêm exigindo ver mais verdade nas coisas. E ser mais de verdade também. Isso reflete em tudo, nas marcas/empresas, na forma como a gente se posiciona, em como se apresenta para o mundo. Então é isso: somos assim, não vou ficar me sentindo péssima por isso. “Eles que lutem” (risos).

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GE: Como vê a queda dos padrões de beleza femininos? Há ainda muita luta pela frente?
AW: Sim. Porque não existiu essa queda, de fato. É bonito falar de aceitação, mas muita gente ainda não colocou isso em prática... Seguem falando mal da barriga da coleguinha, de como ela engordou, de como ela tomou aquele sorvete numa tarde de terça... Seguem cultivando a cultura do jejum de sei lá quantas horas. Enfim, tem muito para mudar.

GE: Redes sociais servem para que? Têm um lado bom? E um ruim?
AW: Acho que ao mesmo tempo que aproxima as pessoas, também pode afastar. O negócio é o equilíbrio. Saber a hora que está te consumindo demais... Saber quando se deve deixar o celular de lado pra viver o presente mesmo, sentir o ventinho no rosto, a temperatura da água na praia, entender de fato a piada e não fingir que entendeu enquanto está prestando atenção no feed (risos).

GE: Como foi esse flerte com o Miguel [Gastal] pelas redes? Conto de fadas existe?
AW: O nosso foi total vida real, com papo reto e verdade. Ele estava solteiro, eu também, trocamos uma ideia pelo Instagram, a conversa foi fluindo até que encontrei ele na festa de uma amiga em comum. E desde o primeiro beijo foi um atrás do outro. Ele é incrível, parceiro, companheirão. Falamos sobre qualquer coisa!

GE: Uma musa inspiradora
AW: Fernanda Montenegro. Ela me emociona muito. E minha avó Maria Ignez.

GE: Um livro, um filme, uma série e uma playlist...
AW: Livro: Contos de Cães e Maus Lobos, do Valter Hugo Mãe; Filme: Cafarnaum, de Nadine Labaki; Série: Fleabag; Playlist: Canto do Povo de Um Lugar, de Caetano Veloso, Força Estranha, de Gal Costa, Tempo Rei, de Gilberto Gil.

Fotos: Ivan Erick
Styling: Rita Lazzarotti
Beleza: Nathalie Billio
Produção executiva: WBorn Productions
Produção de moda: Jeff Ferrari, Sanny Elias e Vítor Moreira
Tratamento de imagens: Philipe Mortosa
QUEM ESCREVE
Nelize Dezzen
| Team GE
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