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Luísa sem máscara

17/02/20 Moda | Por Isabela Serafim

Eleita uma das personalidades mais poderosas do país abaixo dos 30 anos (ela tem 21!) e com a carreira em constante ascensão, a cantora Luísa Sonza dá mais um passo em meio à folia: desfilar na Sapucaí pela Grande Rio e em seu primeiro bloco de Carnaval, o Sonzeira

200129_GAROTAS ESTUPIDAS 0241 PB-CAPA
Calça Levi's, preço sob consulta

Para Luísa Sonza, a astrologia é um ótimo jeito de começar uma conversa. "Melhor do que falar sobre o tempo", me contou logo depois de dizer que é canceriana com ascendente em áries e lua em touro. Para quem não é do time dos astros, podemos dizer que a jovem é intensa, tem personalidade forte e também um pé no chão que engana sua idade, 21 anos. Mas isso tudo também é fruto de sua experiência de vida. Luísa é do interior do Rio Grande do Sul, começou a trabalhar aos 7 anos em uma banda que tocava em festas e casamentos e viu no Youtube um jeito acessível – mas nada fácil! – de acontecer na música. Seu canal, que começou com vídeos de covers de artistas famosos, hoje contabiliza mais 4 milhões de inscritos. Só no Insta, ela tem 16 milhões de seguidores. E foi eleita no mês passado uma das pessoas mais poderosas do país com menos de 30 anos pela Forbes. Nossa capa de fevereiro conta a seguir as dores e delícias de ser Luísa Sonza, autêntica e sem máscara.

WhatsApp Image 2020-02-17 at 19.30.50
Camiseta Love 1985, R$ 98

GAROTAS ESTÚPIDAS: Você começou a trabalhar com 7 anos e hoje, aos 21, já conquistou muita coisa. Como enxerga a sua trajetória?
Luísa Sonza: É muito louco ver que meu sonho se realizou. Eu sou de Tuparendi, uma cidade de 6 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, cantei em uma banda de casamento durante 10 anos e passei por vários "perrengues". Não foi uma infância normal. Tive que lidar muitas responsabilidades muito cedo, abrir mão de muita coisa. Coisas meio básicas na infância e adolescência, tipo dormir na casa da amiga, porque eu trabalhava muito de final de semana. Cheguei a fazer 20 shows em um mês! Mas escolheria isso mil vezes, em todas as vidas. Isso me fez crescer demais. Acho que só consigo lidar com tudo hoje por ter tido um caminho diferente.

GE: Você costuma falar que as mulheres gaúchas nascem com a "faca na bota". Quem são as mulheres que te inspiram?
Luísa Sonza: Vim de uma família de mulheres muito fortes. Tudo o que vi, de bom e ruim, peguei para mim como exemplo. Sou muito observadora e aprendo com o erro dos outros Minha avó, minha mãe e minhas tias sempre foram mulheres de muita personalidade e força. Tiveram uma história difícil em relação a tudo. Minha avó é uma mulher que precisou cuidar sozinha de três filhas quando o meu avô foi assassinado. Fiz uma música para a minha mãe ["Eliane", lançada em 2019] e coloquei ela, minha avó e minha irmã no clipe. Elas me inspiram muito. A Luísa artista tem muito da minha mãe. Ela é professora de dança e educação física e sempre me incentivou a dançar, fazer esporte, ser desinibida, não me importar com os outros. Ela tinha uma coisa que entrou na minha cabeça que é "não dependa de homem".

GE: Você foi eleita uma das pessoas mais poderosas do país abaixo dos 30 pela Forbes. Como recebeu a notícia? 
Luísa Sonza: Foi como ganhar um troféu. Eu vejo muito como a prova do quanto vale a pena trabalhar e correr atrás dos sonhos. E fiz questão de expor bastante para mostrar para as mulheres o que a gente pode fazer. A sociedade tem dificuldade de ver mulheres no topo. Esse é meu maior sonho. Eu quero que as mulheres sejam a maioria. Que as minorias sejam a maioria. Falo de mulher porque é meu lugar de fala, mas acho que as minorias têm que parar de ser minorias, porque nós somos a maioria. Foi um momento importante pra mim e serviu para mostrar que a gente consegue ser uma mulher de negócios, rebolar a bunda, se divertir, cuidar da pele, da mente, ter o próprio dinheiro e manter a independência financeira e emocional.

GE: Acho que nem preciso perguntar se você é feminista. Como vê o movimento hoje e qual é importância de falarmos cada vez mais sobre os padrões de beleza e autoestima?
Luísa Sonza
: Acho que só não é feminista quem não sabe o que é feminismo. E se uma pessoa não é feminista, ela é uma vítima da sociedade. E não podemos ficar com raiva. Nesse contexto, é muito importante falarmos de autoestima. Ser julgada pelo corpo não é algo que deveria acontecer. É muito sério que em 2020 a gente ainda veja pessoas falando sobre os corpos das outras. Precisamos discutir isso hoje para que um dia a diversidade de corpos seja apenas um fato, sem mais questões.

GE: Como é a sua relação com o seu corpo?
Luísa Sonza: Eu sempre fui muito segura do meu corpo, sempre tive uma autoestima elevada. Quando começava a ter uns pensamentos que não eram legais, me policiava. Isso é tão banal perto do que a gente pode ser… Temos tantas coisas para mostrar, que não vale a pena ficar infeliz com o nosso corpo e o peso o tempo todo. Eu vivo mais preocupada com a minha mente, com o que eu vou passar para as pessoas. O ser humano vai além do corpo. E o nosso corpo é a nossa casa. Temos que pensar nele com amor. Já tive vergonha do meu corpo, sim, mas me esforço para barrar essas ideias. É claro que é mais fácil chegar nesse lugar porque sou padrão. Tenho consciência de todos os meus privilégios. Mas não quero ser famosa pela aparência, e sim pela minha música, pelas coisas que eu falo. Já coloquei preenchimento nos lábios porque achei que ficaria legal. Porém já me sentia bem sem preenchimento. E não sou mais bonita que ninguém. Não me sinto mais bonita do que alguém que está fora do padrão. Quero que todo mundo se ache bonita. E quero ser uma mulher com voz pra falar e ajudar outras mulheres.

WhatsApp Image 2020-02-17 at 19.36.21
Camiseta Minha Avó Tinha, preço sob consulta

GE: Você é uma pessoa que cresceu nos palcos e há alguns anos nas redes sociais. Quais situações foram mais complicadas de enfrentar? 
Luísa Sonza: Eu lido bem. Me adapto fácil às coisas. E penso que é assim, então não preciso ficar me questionando. A realidade é essa e prefiro lidar com a realidade. O que já foi muito difícil pra mim foi a imprensa, quando as pessoas mudam minhas palavras de uma forma que possam atingir outras pessoas. Me machuca. Eu não ligo se alguém inventar algo sobre mim, se eu fiz alguma cirurgia e tal. Mas quando dizem que eu falei algo que não falei ou quando não foi essa a minha intenção, me incomoda demais. Ainda estou aprendendo a lidar. Dificilmente uma entrevista sai da forma como falei.

GE: As celebridades de antes tinham um contato diferente com os fãs: cartas, imprensa... Você tem um canal direto com os seus. Como é isso pra você? 
Luísa Sonza: Hoje, com as redes sociais, meu contato com os fãs é constante. Também converso sempre com os meus fãs clubes… Nos shows, temos um contato sempre próximo. Amo estar com eles e receber todo apoio e carinho! Cada mensagem e cada abraço me enchem de energia para continuar.

GE: Recentemente rolou na internet que o seu casamento com o Whindersson Nunes estava "por um fio" e vocês até ironizaram o caso. Como foi isso?
Luísa Sonza: Essa notícia é tão impossível de acontecer... Tiramos muito sarro. É uma história que não atinge outras pessoas. E nós temos muita segurança no nosso casamento, que é incrível. Nem ligamos. Ainda fiquei pensando que a gente dá muita audiência, porque estão inventando coisas desse tipo faz tempo. E eu acho a especulação sempre engraçada: "Ela postou uma foto e ele não curtiu". Um casamento de 4 anos e estão especulando que uma foto vai significar algo. Nesse caso específico a mídia não me afetou.

GE: Você sempre se mostra muito consciente na sua relação com o Whindersson. Costuma pensar sobre ter se casado muito nova? 
Luísa Sonza: Sou muito questionada sobre isso. Acho que sou um nova que não é nova. Tenho minha independência. Casei independente, tendo emprego, dinheiro, uma vida. Comecei a trabalhar com 7. Sou muito precoce. Casei cedo porque comecei a viver muito mais cedo. Além disso, não temos um casamento "tradicional", a gente continua tendo nossa vida, nossa independência. Pra mim, esse tipo de casamento é o ideal. Eu encontrei o Whindersson e ele é o amor da minha vida. E se alguém quiser casar cedo de outras maneiras, tudo bem também.

Cópia de 200129_GAROTAS ESTUPIDAS PB 0280-PREVIEW1

GE: O que acha da monogamia? Teria um relacionamento aberto? 
Luísa Sonza: Eu acho que o relacionamento aberto funciona. O meu relacionamento não é aberto, mas acredito que pode dar certo. Essa discussão é muito importante hoje, mas estou bem e feliz assim.

GE: Você está comprometida há 4 anos. É a amiga conselheira? Como é ouvir as amigas contando sobre os aplicativos de paquera? 
Luísa Sonza: Sou! Eu adoro ser a conselheira. Gosto de ouvir, de aprender como funciona a cabeça e o relacionamento de outras pessoas. Adoro falar sobre o relacionamento saudável, que é como vejo o meu. Acho que um relacionamento deve ser leve, não deve ter pressão. E acho ótimo que as mulheres estão finalmente fazendo o que querem fazer. Que continue assim. Que elas sejam cada vez mais donas das próprias vidas, das suas escolhas.

GE: O tema da nossa edição é Carnaval. Qual é a sua relação com a folia? 
Luísa Sonza: O Carnaval esse ano vai ser realmente muito especial. É a primeira vez que desfilo na Sapucaí, pela Grande Rio, uma escola de samba que me abraçou. O Carnaval muda a vida das pessoas, desde as que estão ali acreditando e trabalhando na sua escola às que estão pulando na rua. É uma festa acessível, em que os artistas podem cantar pra todo mundo. E todo mundo é igual. Esse ano também lancei meu bloco, com o meu trio, o Sonzeira, que foi para a rua no dia 16. Carnaval é um momento de muito amor, alegria, liberdade, de lutar por causas, com as escolas de samba e seus temas. É uma grande manifestação humana. Hora de transbordar. Conexão pura.

GE: E no Carnaval você coloca ou tira a máscara? 
Luísa Sonza: Eu sempre sou a mesma Luísa. O tempo todo. Não tenho momentos em que eu coloque ou precise tirar uma máscara. A não ser quando estou atuando, que aí abro mão da Luísa para encarar um personagem.

WhatsApp Image 2020-02-17 at 19.34.32
Camisa Polo Lacoste, R$ 449; biquíni Água de Sal, R$ 189; chapéu Marsela, R$ 90; braceletes acervo; meias acervo; sandálias Birkenstock, R$ 449,90

GE: Quem é a Luísa Sonza quando ninguém está olhando?
Luísa Sonza: Uma Luísa mais vulnerável. A única coisa que faço sozinha é ser mais menina, mais criança. No meu trabalho preciso ser adulta, centrada, correta. E sou uma menina de 21 anos, um neném. Quero ter cada vez menos medo de ser vulnerável. Quando você finge que é forte o tempo todo mostra mais fraqueza do que quando realmente mostra a sua fraqueza. E a verdade é que sou muito sensível, sinto todas as emoções. Sou canceriana.

GE: Você já falou no Twitter sobre estar com depressão. Como lidou com isso? Acha importante usar seu poder de influência para falar do assunto? E quais são os cuidados que você exerce em relação a esse poder de influência?
Luísa Sonza: É um tema delicado, porém é importante falarmos sobre para encorajar e mostrar que precisamos e podemos buscar ajuda. Tento utilizar minha voz como pessoa pública exatamente para mostrar que a doença é mais comum do que pensamos, e que precisamos cuidar cada vez mais da nossa mente e ficar atentos aos nossos amigos e família para ajudá-los sempre.

GE: Você fica muito no celular? Isso afeta a sua saúde mental? 
Luísa Sonza: Adoro ficar sem celular. Eu sou zero redes sociais. Acho até que teria que mostrar mais, falar mais. Não sou muito a pessoa que pega toda hora o celular pra fazer um story. Não sou tão ligada, por mais que eu seja da geração dos nativos digitais. Mas ainda fico muito no celular quando estou trabalhando. Essa parte é a que estou tentando me policiar. Às vezes, dá 2h da manhã e eu estou conversando com a minha equipe. Faço muita terapia e aprendi a nunca levar como verdade as mentiras que falam sobre mim na internet. Tento não ligar para os haters. Mas sou um ser humano também e às vezes fico chateada. Tenho o hábito de conversar muito com as pessoas que estão próximas, acho que o diálogo faz bem.

GE: Qual foi o melhor conselho que você já recebeu na vida? 
Luísa Sonza: "Seja independente. Se você quer alguma coisa, busque você". Foi da minha mãe. Quando eu era pequena e a gente ia a um restaurante, ela não pedia minha comida e dizia que se eu queria comer, deveria escolher e pedir. Quando eu brigava com alguém na escola e ela era chamada, dizia que eu deveria resolver. Eu odiava, ficava muito brava. Hoje agradeço.

Edição: Nelize Dezzen e Rafael Nascimento
Fotos: Bruna Castanheira
Styling: Victor Miranda
Beleza: Pedro Moreira
Tratamento de Imagens: Helena Colliny
Assistentes de Foto: Leandro Bugni e Beatriz Garbieri ⁣
Texto
: Isabela Serafim
Diagramação: Amanda Pinho

QUEM ESCREVE
Isabela Serafim
| Team GE
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Luísa sem máscara

17/02/20 Moda | Por Isabela Serafim

Eleita uma das personalidades mais poderosas do país abaixo dos 30 anos (ela tem 21!) e com a carreira em constante ascensão, a cantora Luísa Sonza dá mais um passo em meio à folia: desfilar na Sapucaí pela Grande Rio e em seu primeiro bloco de Carnaval, o Sonzeira

200129_GAROTAS ESTUPIDAS 0241 PB-CAPA
Calça Levi's, preço sob consulta

Para Luísa Sonza, a astrologia é um ótimo jeito de começar uma conversa. "Melhor do que falar sobre o tempo", me contou logo depois de dizer que é canceriana com ascendente em áries e lua em touro. Para quem não é do time dos astros, podemos dizer que a jovem é intensa, tem personalidade forte e também um pé no chão que engana sua idade, 21 anos. Mas isso tudo também é fruto de sua experiência de vida. Luísa é do interior do Rio Grande do Sul, começou a trabalhar aos 7 anos em uma banda que tocava em festas e casamentos e viu no Youtube um jeito acessível – mas nada fácil! – de acontecer na música. Seu canal, que começou com vídeos de covers de artistas famosos, hoje contabiliza mais 4 milhões de inscritos. Só no Insta, ela tem 16 milhões de seguidores. E foi eleita no mês passado uma das pessoas mais poderosas do país com menos de 30 anos pela Forbes. Nossa capa de fevereiro conta a seguir as dores e delícias de ser Luísa Sonza, autêntica e sem máscara.

WhatsApp Image 2020-02-17 at 19.30.50
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GAROTAS ESTÚPIDAS: Você começou a trabalhar com 7 anos e hoje, aos 21, já conquistou muita coisa. Como enxerga a sua trajetória?
Luísa Sonza: É muito louco ver que meu sonho se realizou. Eu sou de Tuparendi, uma cidade de 6 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, cantei em uma banda de casamento durante 10 anos e passei por vários "perrengues". Não foi uma infância normal. Tive que lidar muitas responsabilidades muito cedo, abrir mão de muita coisa. Coisas meio básicas na infância e adolescência, tipo dormir na casa da amiga, porque eu trabalhava muito de final de semana. Cheguei a fazer 20 shows em um mês! Mas escolheria isso mil vezes, em todas as vidas. Isso me fez crescer demais. Acho que só consigo lidar com tudo hoje por ter tido um caminho diferente.

GE: Você costuma falar que as mulheres gaúchas nascem com a "faca na bota". Quem são as mulheres que te inspiram?
Luísa Sonza: Vim de uma família de mulheres muito fortes. Tudo o que vi, de bom e ruim, peguei para mim como exemplo. Sou muito observadora e aprendo com o erro dos outros Minha avó, minha mãe e minhas tias sempre foram mulheres de muita personalidade e força. Tiveram uma história difícil em relação a tudo. Minha avó é uma mulher que precisou cuidar sozinha de três filhas quando o meu avô foi assassinado. Fiz uma música para a minha mãe ["Eliane", lançada em 2019] e coloquei ela, minha avó e minha irmã no clipe. Elas me inspiram muito. A Luísa artista tem muito da minha mãe. Ela é professora de dança e educação física e sempre me incentivou a dançar, fazer esporte, ser desinibida, não me importar com os outros. Ela tinha uma coisa que entrou na minha cabeça que é "não dependa de homem".

GE: Você foi eleita uma das pessoas mais poderosas do país abaixo dos 30 pela Forbes. Como recebeu a notícia? 
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WhatsApp Image 2020-02-17 at 19.36.21
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GE: Você é uma pessoa que cresceu nos palcos e há alguns anos nas redes sociais. Quais situações foram mais complicadas de enfrentar? 
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Luísa Sonza: Essa notícia é tão impossível de acontecer... Tiramos muito sarro. É uma história que não atinge outras pessoas. E nós temos muita segurança no nosso casamento, que é incrível. Nem ligamos. Ainda fiquei pensando que a gente dá muita audiência, porque estão inventando coisas desse tipo faz tempo. E eu acho a especulação sempre engraçada: "Ela postou uma foto e ele não curtiu". Um casamento de 4 anos e estão especulando que uma foto vai significar algo. Nesse caso específico a mídia não me afetou.

GE: Você sempre se mostra muito consciente na sua relação com o Whindersson. Costuma pensar sobre ter se casado muito nova? 
Luísa Sonza: Sou muito questionada sobre isso. Acho que sou um nova que não é nova. Tenho minha independência. Casei independente, tendo emprego, dinheiro, uma vida. Comecei a trabalhar com 7. Sou muito precoce. Casei cedo porque comecei a viver muito mais cedo. Além disso, não temos um casamento "tradicional", a gente continua tendo nossa vida, nossa independência. Pra mim, esse tipo de casamento é o ideal. Eu encontrei o Whindersson e ele é o amor da minha vida. E se alguém quiser casar cedo de outras maneiras, tudo bem também.

Cópia de 200129_GAROTAS ESTUPIDAS PB 0280-PREVIEW1

GE: O que acha da monogamia? Teria um relacionamento aberto? 
Luísa Sonza: Eu acho que o relacionamento aberto funciona. O meu relacionamento não é aberto, mas acredito que pode dar certo. Essa discussão é muito importante hoje, mas estou bem e feliz assim.

GE: Você está comprometida há 4 anos. É a amiga conselheira? Como é ouvir as amigas contando sobre os aplicativos de paquera? 
Luísa Sonza: Sou! Eu adoro ser a conselheira. Gosto de ouvir, de aprender como funciona a cabeça e o relacionamento de outras pessoas. Adoro falar sobre o relacionamento saudável, que é como vejo o meu. Acho que um relacionamento deve ser leve, não deve ter pressão. E acho ótimo que as mulheres estão finalmente fazendo o que querem fazer. Que continue assim. Que elas sejam cada vez mais donas das próprias vidas, das suas escolhas.

GE: O tema da nossa edição é Carnaval. Qual é a sua relação com a folia? 
Luísa Sonza: O Carnaval esse ano vai ser realmente muito especial. É a primeira vez que desfilo na Sapucaí, pela Grande Rio, uma escola de samba que me abraçou. O Carnaval muda a vida das pessoas, desde as que estão ali acreditando e trabalhando na sua escola às que estão pulando na rua. É uma festa acessível, em que os artistas podem cantar pra todo mundo. E todo mundo é igual. Esse ano também lancei meu bloco, com o meu trio, o Sonzeira, que foi para a rua no dia 16. Carnaval é um momento de muito amor, alegria, liberdade, de lutar por causas, com as escolas de samba e seus temas. É uma grande manifestação humana. Hora de transbordar. Conexão pura.

GE: E no Carnaval você coloca ou tira a máscara? 
Luísa Sonza: Eu sempre sou a mesma Luísa. O tempo todo. Não tenho momentos em que eu coloque ou precise tirar uma máscara. A não ser quando estou atuando, que aí abro mão da Luísa para encarar um personagem.

WhatsApp Image 2020-02-17 at 19.34.32
Camisa Polo Lacoste, R$ 449; biquíni Água de Sal, R$ 189; chapéu Marsela, R$ 90; braceletes acervo; meias acervo; sandálias Birkenstock, R$ 449,90

GE: Quem é a Luísa Sonza quando ninguém está olhando?
Luísa Sonza: Uma Luísa mais vulnerável. A única coisa que faço sozinha é ser mais menina, mais criança. No meu trabalho preciso ser adulta, centrada, correta. E sou uma menina de 21 anos, um neném. Quero ter cada vez menos medo de ser vulnerável. Quando você finge que é forte o tempo todo mostra mais fraqueza do que quando realmente mostra a sua fraqueza. E a verdade é que sou muito sensível, sinto todas as emoções. Sou canceriana.

GE: Você já falou no Twitter sobre estar com depressão. Como lidou com isso? Acha importante usar seu poder de influência para falar do assunto? E quais são os cuidados que você exerce em relação a esse poder de influência?
Luísa Sonza: É um tema delicado, porém é importante falarmos sobre para encorajar e mostrar que precisamos e podemos buscar ajuda. Tento utilizar minha voz como pessoa pública exatamente para mostrar que a doença é mais comum do que pensamos, e que precisamos cuidar cada vez mais da nossa mente e ficar atentos aos nossos amigos e família para ajudá-los sempre.

GE: Você fica muito no celular? Isso afeta a sua saúde mental? 
Luísa Sonza: Adoro ficar sem celular. Eu sou zero redes sociais. Acho até que teria que mostrar mais, falar mais. Não sou muito a pessoa que pega toda hora o celular pra fazer um story. Não sou tão ligada, por mais que eu seja da geração dos nativos digitais. Mas ainda fico muito no celular quando estou trabalhando. Essa parte é a que estou tentando me policiar. Às vezes, dá 2h da manhã e eu estou conversando com a minha equipe. Faço muita terapia e aprendi a nunca levar como verdade as mentiras que falam sobre mim na internet. Tento não ligar para os haters. Mas sou um ser humano também e às vezes fico chateada. Tenho o hábito de conversar muito com as pessoas que estão próximas, acho que o diálogo faz bem.

GE: Qual foi o melhor conselho que você já recebeu na vida? 
Luísa Sonza: "Seja independente. Se você quer alguma coisa, busque você". Foi da minha mãe. Quando eu era pequena e a gente ia a um restaurante, ela não pedia minha comida e dizia que se eu queria comer, deveria escolher e pedir. Quando eu brigava com alguém na escola e ela era chamada, dizia que eu deveria resolver. Eu odiava, ficava muito brava. Hoje agradeço.

Edição: Nelize Dezzen e Rafael Nascimento
Fotos: Bruna Castanheira
Styling: Victor Miranda
Beleza: Pedro Moreira
Tratamento de Imagens: Helena Colliny
Assistentes de Foto: Leandro Bugni e Beatriz Garbieri ⁣
Texto
: Isabela Serafim
Diagramação: Amanda Pinho

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Uma outra Mari

20/12/19 Moda | Por Isabela Serafim

Aos 38 anos, Mariana Ximenes diz nunca ter aproveitado tanto a vida quanto agora. Depois de um ano cheio de mudanças e transformações, ela divide suas paixões e a alegria de viver que a maturidade trouxe

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Antes de me contar sua paixão por música, Mariana Ximenes já tinha respondido umas três perguntas citando frases de Caetano Veloso e Cartola. Depois disse que a amizade é o sal da vida. Mas essa é de Jorge Amado, ela mesma pontuou. Seu refúgio, a natureza, combina mesmo com seu mapa astral – sol e ascendente em touro, lua em capricórnio. É muito elemento terra. Pé no chão. Por isso, todas as mudanças de 2019 vieram como um chacoalhão na vida da atriz de 38 anos. Uma transformação necessária, de acordo com ela, que se prepara para viver a Condessa de Barral na novela "Tempos do Imperador", na Rede Globo, no próximo ano. A seguir, ela fala de carreira, redes sociais, maturidade e divide suas paixões (claro!) com a gente.

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Garotas Estúpidas: Fazendo um balanço do seu ano, quais foram os maiores aprendizados?
Mariana Ximenes: Foi um ano de mudanças, muito agitado e interessante. No trabalho, fiz filme, minissérie. Me mudei para São Paulo, fiz viagens incríveis. Esse foi um tempo de valorização dos meus laços. Sou muito atenta às amizades e estive cercada de amigos e afetos, foi especial. Aprendi a ter ainda mais paciência, tolerância e a entender que as mudanças são bem-vindas. Não foi fácil, mas foi muito bom.

GE: Você tem anos de experiência como atriz. Tem alguma coisa que ainda não fez e quer experimentar?
Mariana Ximenes: Tudo, rs! Tem muuuita coisa pra fazer ainda. Fiz uma comédia no ano passado que vai estrear em 2020 que chama "L.O.C.A. – Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor" e foi o máximo. A peça "Os Altruístas", de 2011, tem uma veia cômica e foi bem emblemática. Queria fazer mais comédia, acho uma delícia. Ah, tem textos clássicos que também amo, pessoas com as quais tenho muita vontade de trabalhar…

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GE: No Festival do Rio, você usou um vestido com cartazes de filmes nacionais como manifesto e virou notícia. O que achou da repercussão?
Mariana Ximenes: Não imaginava que ia ter esse alcance e fiquei muito contente. Eu tive a ideia, falei com o Thomaz Azulay, da marca The Paradise, e fizemos tudo na loucura para vestir poucos dias depois. Foi uma delícia revisitar esses filmes, fazer a curadoria do que iria aparecer no vestido ao lado dele. Tinha acabado de rolar o caso da Ancine [A Agência Nacional do Cinema retirou cartazes de filmes brasileiros de sua sede e do site], estamos vivendo um momento complicado para a cultura agora. Fala-se que o artista se beneficia dos recursos do governo e não é verdade. O próprio Festival do Rio, que aconteceu com financiamento coletivo, foi um sinônimo de resistência. Acho que agora é a hora de nos unirmos. Quem acredita nas mesmas coisas precisa estar junto, reforçando o coletivo.

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GE: O que mais te engaja verdadeiramente?
Mariana Ximenes: Estudei muito o feminismo e o feminino. Gosto de falar do feminino também. Tenho um grupo em que debatemos muito o assunto, participamos de aulas e isso sempre me nutriu. Adoro ler Sueli Carneiro, Djamila, Angela Davis. É importante pra mim estar em rodas de mulheres com recortes diferentes. Além disso, me engajei bastante na tragédia ambiental da cidade de Mariana, em Minas Gerais [o rompimento de uma barragem soterrou a cidade e seus arredores de lama em 2015]. Fui até lá, gravamos a campanha "Não esqueça Mariana", que ganhou até prêmio. Ah, também colaboro com projetos bacanas, como a Casa Spectaculu, da Marisa Orth e do cenógrafo Gringo Cardia.

GE: E quais são as suas maiores paixões?
Mariana Ximenes: Ah! Tanta coisa! Eu amo música, comida, arte. E natureza, então? Tudo de natureza. Mar, areia, cachoeira. Amo mergulhar. É só me chamar que eu vou. Ficar no meio do mato é o que me faz mais feliz!

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GE: Falando em paixão...Como tá esse coração?
Mariana Ximenes
: Muito bem, muito feliz. Estou namorando há 2 anos o músico Felipe Fernandes. Sou um pouco mais discreta em relação à vida amorosa, gosto de me reservar e viver os momentos.

GE: O que a Mariana de 38 anos gostaria de contar pra Mariana de 20?
Mariana Ximenes: Acho que eu falaria: "Vai lá, garota! Aproveita muito a vida como eu aproveito hoje! E baixa a ansiedade, porque como o Cartola canta 'Tudo no mundo, acontece'".

GE: Como você lida com o envelhecimento?
Mariana Ximenes: Tudo é diferente. O tempo passa e tem uma ação. Não tem jeito. Quando eu penso no tempo, lembro da música "Oração ao Tempo", do Caetano. Ele fala "Compositor de destinos [...] Entro num acordo contigo [...] E o movimento preciso". Gosto de pensar no tempo e no movimento. Quando eu olho pra Fernanda Montenegro, por exemplo, vejo que o tempo está nas escolhas dela, no corpo, no movimento. A Jane Fonda deu uma entrevista que me deixou comovida uma vez. Ela disse que não queria deixar a vida dela sem uma luta, sem um sentido. Ela tem uma força que só o tempo traz. Acho que é isso: o tempo traz força. Quando olho pra trás, lembro da minha bagagem, da minha trajetória, da minha família, das pessoas que amo. Isso me traz paz.

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GE: Seu perfil no Instagram tem 4 milhões de seguidores. Como é sua relação com as redes sociais?
Mariana Ximenes: Tento fazer um trabalho comigo mesma sempre. À noite, quando deito na cama, evito pegar o celular. Se esqueço, até o meu namorado coloca o meu aparelho longe da cabeceira. Virou a nossa regra: deitou, não mexe mais no celular. Hoje em dia eu nem tenho mais computador, tenho celular. Eu não sou daquelas que fica reportando tudo o que faço no Instagram, mas mesmo assim uso bastante. Para eu estar inteira, preciso estar focada. Se eu estivesse fazendo essa entrevista pessoalmente [falamos com a atriz ao telefone], eu teria desligado o celular e estaria olhando nos seus olhos. Tenho que estar absolutamente entregue e me dedico a fazer isso. É claro que adoro ter uma conexão próxima com meus fãs e seguidores, mas precisamos usar com parcimônia. É bom viver a vida real.

GE: Você tem metas para o ano que vem?
Mariana Ximenes: Prefiro falar em propósito. E adoro escrevê-los. O papel ainda tem o seu valor pra mim. Gosto de conhecer letras das pessoas, sou uma pessoa que manda cartão. Sobre as metas de 2020: ainda não pensei. Aliás, não sei nem onde vou passar o réveillon. Sempre vou pra Bahia ou pra Alagoas. Ou talvez eu vá para uma fazenda perto do Rio, que tem cachoeira.

GE: O que você acha que está faltando no mundo?
Mariana Ximenes: Precisamos de mais tolerância, de respeito. Olhar paro outro, se colocar no lugar do outro.

As paixões de Mariana, em lista

Música
Para dirigir: "AmarElo" - Emicida (Sample: Belchior - Sujeito de Sorte) part. Majur e Pabllo Vittar misturando Nirvana e Jorge Ben;
Para namorar: Chet Baker;
Para ouvir no parque: "In a sentimental mood" - Ella Fitzgerald;
Para cozinhar: todas as músicas do Gilberto Gil, que eu amo!;
Para dançar: Baiana System, Anitta, Queen, David Bowie;
Trilha sonora de filme: "O fabuloso destino de Amélie Poulain"  e de “Me chame pelo seu nome” porque adoro as músicas do Sufjan Stevens.
Show: Ofertório, da família Veloso, e da Maria Bethânia.
Clipe: os do Spike Jonze. E o clipe de "Sua Cara".
Livro
Cabeceira: "Mutações", da Liv Ullman;
Biografía: "Ritos do Nascer ao Parir", Mana Bernardes.
Obra de arte: o Pavilhão da Adriana Varejão, o novo do Tunga, da Claudia Andújar e o do Helio Oiticica, em Inhotim.
Filme
Clássico: "Oito e Meio", Federico Fellini;
Pop: "Pulp Fiction", Quentin Tarantino;
Brasileiro: "Central do Brasil", Walter Salles;
Contemporâneo: "A vida invisível", de Karin Ainouz.
Teatro: as peças do Felipe Irsh e também amo ir ao Teatro Oficina assistir ao Zé Celso.
Dança: o espetáculo "Fúria", de Lia Rodrigues. A Pina Bauch e a nossa Angel Vianna.
Maquiagem: ADORO delineador! A Nat Billio, que fez a nossa matéria, é uma craque!
Batom: vermelho, sempre.
Viagem: Alter do Chão, no Pará.
Praia: Praia do Sancho, em Fernando de Noronha.
Cachoeira: todas da Chapada dos Veadeiros.
Comida: Nasi Goren, que experimentei em Bali, e da chef Morena Leite, que faz lindamente aqui no Brasil. Também amo feijoada!
Doce: Brigadeiro.

Fotos: Tauana Sofia
Maquiagem: Nathalie Billio
Cabelo: Welida Souza
Styling: Júlia Feil
Diagramação: Amanda Pinho
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Isabela Serafim
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A revolução de 2019: entenda por que este foi um ano de mudanças

18/12/19 Lifestyle | Por Isabela Serafim
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Novas configurações pessoais, climáticas, sustentáveis e digitais marcaram um período de renovação geral. Confira o nosso tour a seguir 

 

Tudo começou no shooting da capa da nossa primeira edição digital com Alice Wegmann, quando a própria atriz falou sobre a "revolução de 2019" – as grandes mudanças na forma como as mulheres estão lidando com a autoestima. Achamos que fazia tanto sentido que resolvemos usar o tema e pensar sobre o que mais se transformou este ano. E foi coisa, hein? A seguir, faremos um tour por onde passou a tal revolução de 2019. Vem com a gente?

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Ashley Graham, uma das musas do movimento body positive
Instagram/Reprodução
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Instagram/Reprodução

AMOR-PRÓPRIO, O PRIMEIRO AMOR

Nunca se falou tanto sobre autocuidado como em 2019. Tanto que o próprio Google apontou uma curva crescente nas buscas pelo termo em sua plataforma ao longo do ano. O movimento de olhar, entender e cuidar de si é a consequência de uma onda de feminismo que se espalhou pelas redes sociais. E o resultado é mesmo uma legião de mulheres que embarcaram em libertadoras (e nada fáceis) jornadas de aceitação e autoestima.

 

"É um processo de cura muito sensível, com altos e baixos. Vivemos hoje em um mundo com muitos filtros. Precisamos nos conectar com nossa essência e ser mais gentis com a gente", conta a comunicadora carioca Lara D'Avila, criadora do perfil do insta @comoaprendiameamar. "Depois de me aprofundar no assunto e ler 'O Mito da Beleza', de Naomi Wolf, percebi quanto tempo gastava com essa falta de aceitação. Hoje, aprendi a me amar com minhas imperfeições e adoro cuidar da minha saúde", diz.

Graças às redes sociais, inclusive, o movimento tem se espalhado cada vez mais, e celebridades que influenciam milhões de pessoas nas redes sociais têm se posicionado e colocado o assunto sempre na roda. Tipo Bruna Marquezine, Preta Gil, Anitta e a própria Alice Wegmann, que puxou o bonde da conversa aqui no GE no último mês (obrigada por isso, Alice!).

07 July 2019, Berlin: A woman is holding her smartphone in her hands during the show of the label LeGer by Lena Gercke at About You Fashion Week at E-Werk. The collections for Spring/Summer 2020 will be presented at Berlin Fashion Week. Photo: Jens Kalaene/dpa-Zentralbild/ZB (Photo by Jens Kalaene/picture alliance via Getty Images)
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O DESEJO DO OFF

Para a nossa supercolunista Gabriela Prioli, esse foi um período marcado pelo impacto da tecnologia em nossas vidas. E não é só em relação às facilidades que os aplicativos trouxeram, mas também sobre as consequências deles para quem tem o costume de estar sempre conectado. "Nós somos o País com os maiores índices de ansiedade e depressão da América Latina, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)", conta Gabi. E olha só: ocupamos a segunda posição no ranking de países que mais usam o Instagram. "Temos milhares de pessoas se comparando com fotos nas redes sociais – que na maioria das vezes nem são reais", completa.

Nesse contexto, tivemos um 2019 em que o sinal vermelho dos efeitos do excesso de redes sociais piscou de verdade. E precisamos falar da importância de se reservar e aproveitar os momentos offline. Nossa Camila Coutinho, que tem uma vida superconectada, conta que é essencial ficar longe do celular para voltar a prestar atenção em si mesma.

Uma das tradicionais filas em lojas da Apple
Getty Images

"Começamos a perceber recentemente a consequência de estar sempre ligada na vida do outro (nas redes sociais) e desligada da nossa. Claro que não dá para ser extremista. Nossa realidade hoje é muito online. Porém, somos seres humanos com controle e inteligência para ter domínio em relação a isso. É importante identificar quando o uso está passando do limite e criar momentos off ao longo do dia. Ter consciência é o primeiro passo."

Members of the IBAMA forest fire brigade (named Prevfogo) fight burning in the Amazon area of rural settlement PDS Nova Fronteira, in the city of Novo Progresso, Para state, northern Brazil, on September 3, 2019. Since the end of August Prevfogo has been acting with the assistance of Brazilian Army military. Bolsonaro government budget cuts since January 2019 have severely affected brigades, which have been reduced in critical regions such as the Amazon. (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
A Amazônia e o alarmante aumento de queimadas
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ALERTA SUSTENTÁVEL 

Não faz muito tempo que sustentabilidade era um tema de nicho, muitas vezes taxado de "papo de hippie". O tempo passou e, rapidamente, falar em meio ambiente virou prioridade. Importante e necessário, porque 2019 encerra uma década de calor global excepcional, perda de gelo e recorde no aumento do nível do mar (!!!), impulsionados pelos gases do efeito estufa que foram lançados através de atividades humanas, de acordo com a  Organização Meteorológica Mundial (OMM).

16-year-old Swedish climate change activist, Greta Thunberg takes part in the Fridays For Future rally in Piazza Castello on December 13, 2019, in Turin, Italy  - Thunberg rose to international prominence last August for organising the first 'School strike for climate', also known as Fridays For Future, a global movement of school students who swap classes for demonstrations to demand action to prevent further global warming and climate change. (Photo by Massimiliano Ferraro/NurPhoto via Getty Images)
A ativista Greta Thunberg, de 16 anos, chamou a atenção em congressos de sustentabilidade em 2019
Getty Images

Fazendo um recorte nacional, a história também se complica. O desmatamento na Amazônia cresceu 30% entre agosto de 2018 e julho de 2019 – os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Fernanda Simon, diretora executiva do Fashion Revolution, movimento que luta por um mercado de moda mais sustentável, conta que este foi um ano em que ficou comprovado que tratar de sustentabilidade é um caminho sem volta. "Avançamos bastante com o lançamento da segunda edição do Índice de Transparência da Moda Brasil, projeto que analisa 30 das maiores marcas nacionais de acordo com a disponibilização de dados públicos em seus canais. Uma ferramenta para auxiliar quem deseja ter informações de qualidade sobre o assunto", conta – e já deixa a dica para quem quiser se aprofundar no assunto.

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Instagram/Reprodução

MÍSTICAS DIGITAIS

Se tem uma terra que foi fértil para os influenciadores em 2019 foi a do misticismo. Perfis de bruxas modernas, astrologia e conteúdos exotéricos ganharam todos os holofotes em um ano de muita instabilidade geral. A plataforma Peoplestrology, que usa a astrologia para fazer pesquisas comportamentais, divulgou um estudo que aponta a busca por respostas como motivo para o boom do tema nos últimos anos.

"As novas gerações vivem uma crise generalizada de confiança: uma sensação de que governo, mídia e grandes instituições não estão falando a verdade. A incerteza e instabilidade sobre o futuro e a urgência para acalmar a ansiedade pode ser comum a todos, mas entre os mais jovens, essa angústia é crítica. A necessidade de pausa e reflexão é urgente, nem que isso aconteça online com a sua youtuber astróloga favorita", explica o report.

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Instagram/Reprodução

Neste contexto, dá pra entender o motivo do tarô virtual voltar à tona em pleno 2019 (não lembra coisa dos primórdios da internet, nos anos 2000?). E a história não para por aí: é reiki, wicca, ayahuasca, sagrado feminino e outras muitas filosofias que têm uma visão menos racional das coisas estão bombando.

Independente de misticismo ou crença, é fato que em 2019 a gente quis mais. Mais sororidade, mais empatia, mais acolhimento, mais relaxamento, mais descanso, mais autoconhecimento, mais paz. Este foi um ano de transformação, em que um espírito de movimento tomou conta de muita gente e o conformismo não teve espaço. A gente aqui no GE mudou de cara, equipe, posicionamento e encerramos o período com muitas novidades – e um longo caminho para percorrer. Vem 2020, que queremos continuar esse papo!

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CAMILA COUTINHO
Camila Coutinho criou o Garotas Estúpidas, primeiro blog de moda brasileiro, em 2006. De lá pra cá, a recifense virou referência no mercado nacional e internacional: em 2015 integrou a seleção “30 under 30” da Forbes Brasil e em 2017 entrou para a seleta lista BoF500 do site britânico Business of Fashion, que elege as personalidades que estão fazendo a diferença no mundo da moda; no ano seguinte lançou seu primeiro livro, “Estúpida, Eu?”, pela editora Intrínseca
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