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Editora Abril fecha as revistas Elle, Cosmopolitan, Boa Forma e mais sete títulos

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Nessa segunda-feira (06/08) a Editora Abril encerrou as operações de 10 títulos, entre eles nomes de grande destaque do mercado de moda e comportamento, como a Cosmopolitan, Elle e Boa Forma. Completam a lista as revistas Mundo EstranhoArquitetura e Construção, Casa Cláudia e Minha Casa e os sites Casa.com, Educar para Crescer e Bebe.com.

Em nota, o Grupo Abril informou que “está reformulando o portfólio de marcas da editora com o objetivo de garantir sua saúde operacional em um ambiente de profundas transformações tecnológicas, cujo impacto vem sendo sentido por todo o setor de mídia”. Por enquanto, continuam a apostar na Veja, Veja São Paulo, Exame, Quatro Rodas, Claudia, Saúde, Superinteressante, Viagem e Turismo, Você S/A, Você RH, Guia do Estudante, Capricho, MDE Mulher, VIP e Placar.

“É um momento muito triste para o mercado editorial. Qualquer dia que você fecha uma revista no Brasil é um dia em que você perde informação importante, de qualidade”, comentou para o GE Cris Naumovs, diretora de redação da Cosmopolitan Brasil.

Além da dificuldade em manter o negócio saudável financeiramente com vendas e publicidade em geral, revistas como a Cosmo e Elle enfrentam também o peso do licenciamento dos títulos gringos (é preciso pagar pelos direitos de publicação sob esses nomes, como se fosse uma franquia). “É um valor muito alto e que começou a ficar impraticável pro mercado brasileiro como é hoje. A gente vem observando há anos essa história do contrato, mas é uma decisão da corporação”, explicou.

ALGUMAS REFLEXÕES…

Sempre amei ler e me inspirar em revistas como essas, saí nas capas de várias delas, tenho amigos talentosíssimos que estão nessas redações, por isso sinto realmente um aperto no coração com essa notícia. É muito difícil mesmo manter o interesse no impresso quando está tudo aí livremente publicado no Instagram, Youtube e sites de notícias a qualquer hora – e a apenas um clique de distância, de graça.

“Tem uma coisa que é muito maluca pra mim que é você pagar Spotify, Netflix, mas só a informação se quer de graça. A gente – e com isso me refiro a todo mundo – precisa investir em informação de qualidade, senão ficamos na mão das fake news, aquelas coisas todas que ninguém checa e se fala o que se quiser. Ficamos sem saber no que acreditar”, aponta Cris. “Enquanto a audiência não entender isso, as coisas vão morrendo – e cada vez que morre uma revista as pessoas lamentam, mas qual foi a última vez em que compraram uma?”.

Já nem é mais aquela velha (e cansada) questão impresso x digital. “Não é ‘um ou outro’, é ‘e’, o mercado digital também precisa faturar mais. O suporte (se é papel, internet…) tanto faz, a boa informação vai estar no aplicativo, jornal, site, newsletter…”, observou.

https://www.instagram.com/p/BmJh8Txg1uV/?taken-by=ellebrasil

Na minha opinião, realmente não tem mais espaço para tantos veículos impressos, e a melhor saída para sobreviver no cenário atual é investir no branding em cima do nome da revista com produtos offline, eventos, de forma que o título seja o que mantém o fascínio por uma marca, mas não necessariamente sua principal fonte. Há outros caminhos a serem explorados também, como fizeram a Capricho e a Teen Vogue, que deixaram de ter sua versão impressa para focar em edições digitais, evitando assim o fim completo de marcas tão fortes.

Todo mundo passa por reformulações – os blogs também! – e a gente tem que estar aberto às mudanças. Notícias como essa da Editora Abril só mostram o quanto é preciso valorizar também o mercado digital – cobrar os preços certos, ter direito de imagem, de criação, dar valor aos profissionais… Na prática, o mercado ainda tende a dar mais valor ao impresso (por ser mais palpável, por seu prestígio tradicional…) do que ao digital, mesmo sendo possível atingir muito mais gente com a internet. Tem muita mão de obra boa por aí, e o mercado também tem que perceber que aquela que é feita para a internet também deve ser valorizada, é preciso fortalecer essa plataforma como negócio.

A verdade é que o conteúdo nunca morre, as pessoas vão querer consumir informação sempre, mas para ter isso com qualidade é preciso um mercado forte, sem medo de ser criativo e de apostar em novos modelos.

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